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Produtor rural começa 2026 com custos em alta e margem pressionada

Foto do autor Francieli Galo
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Produtor rural começa 2026 com custos em alta e margem pressionada
Produtor rural começou 2026 com alta de 0,51% nos custos e queda de 1,73% nos preços recebidos.

Relatório da Farsul aponta avanço do custo de produção em janeiro e queda nos preços recebidos pelo produtor, cenário que pressiona a rentabilidade no início de 2026

O produtor rural iniciou 2026 enfrentando um cenário de custos mais altos e menor rentabilidade no campo. É o que mostra relatório divulgado pela equipe econômica da Farsul nesta quinta-feira, ao apontar inflação nos custos de produção e queda nos preços recebidos pelos produtores já no primeiro mês do ano.

Em janeiro, o Índice de Inflação dos Custos de Produção (IICP) registrou alta de 0,51%, refletindo principalmente o avanço das despesas com mão de obra e fertilizantes.

Ao mesmo tempo, o Índice de Inflação dos Preços Recebidos pelos Produtores Rurais (IIPR) fechou o mês com queda de 1,73% em relação a dezembro, indicando um aperto maior sobre as margens no setor.

Mão de obra e fertilizantes puxam alta dos custos

Entre os principais fatores que pressionaram o custo de produção em janeiro, o destaque ficou para a mão de obra, que subiu 7%, e para os fertilizantes, com alta de 2% no período.

Segundo o relatório, a valorização dos fertilizantes está diretamente ligada ao avanço do petróleo, movimento associado à escalada dos conflitos no Oriente Médio.

Com isso, o produtor rural começou o ano com um ambiente de maior pressão sobre os desembolsos, especialmente em itens estratégicos para a atividade.

Leite e soja puxam queda nos preços recebidos

Do lado da receita, o comportamento foi inverso. O índice de preços recebidos pelos produtores apresentou queda significativa em janeiro, com destaque para o recuo no valor do leite e da soja.

No caso do leite, a retração dos preços vem sendo observada desde meados do ano passado, em um cenário de maior oferta.

Já a soja acompanhou a queda registrada em Chicago, movimento influenciado pela perspectiva de maior oferta global, inclusive no Brasil, onde a colheita já está em andamento no Centro-Oeste.

Esse cenário reduziu o valor recebido pelo produtor justamente em um momento de aumento dos custos, o que amplia a pressão sobre a rentabilidade das propriedades.

Queda acumulada em 12 meses reforça perda de receita no campo

No acumulado dos últimos 12 meses, o IIPR apresentou queda de 14,04%, mostrando uma deterioração mais ampla nos preços recebidos pelo produtor rural.

Entre os produtos com maior retração no período, o destaque ficou para o arroz, com recuo de 46%, e para o leite, com queda de 24%.

O relatório destaca que esse movimento contrasta com o comportamento do IPCA Alimentos no mesmo intervalo, que segue pressionado.

Na prática, isso indica que a alta percebida pelo consumidor nos alimentos não está necessariamente ficando com o produtor rural, mas aparece em outras etapas da cadeia produtiva.

Custos ainda acumulam deflação em 12 meses

Apesar da alta observada em janeiro, o IICP ainda acumula deflação de 2,95% nos últimos 12 meses.

Segundo o relatório, esse resultado é explicado principalmente pela queda nos preços de defensivos agrícolas e fertilizantes ao longo do período, reflexo da menor cotação do dólar e também do petróleo em boa parte do intervalo analisado.

Mesmo assim, o avanço dos custos no início de 2026 e a queda mais intensa nos preços recebidos acendem um sinal de alerta para a rentabilidade do produtor rural neste começo de ano.

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