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Setor da cana discute custos e mercado no Paraná para 2026

Foto do autor Jair Reinaldo
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Setor da cana discute custos e mercado no Paraná para 2026
Alta nos custos da cana-de-açúcar entra em debate no Paraná, com foco em rentabilidade, biocombustíveis e desafios do setor para 2026.

Reunião em Maringá discutiu aumento dos custos no Centro-Sul, cenário para açúcar e etanol e pautas estratégicas da cadeia sucroenergética para o próximo ano

A alta nos custos de produção da cana-de-açúcar entrou no centro das discussões da cadeia sucroenergética durante encontro realizado em Maringá, no Paraná. A reunião reuniu representantes do setor para avaliar os principais números do Projeto Campo Futuro 2025, além de discutir as perspectivas para os mercados de açúcar e etanol em 2026.

O debate reforçou uma preocupação crescente entre produtores e lideranças da cadeia: o aumento das despesas dentro da porteira e seus reflexos sobre a competitividade da atividade, especialmente em regiões estratégicas para a produção nacional.

Centro-Sul registra alta expressiva nos custos da cana

Os dados apresentados durante o encontro mostraram que os custos de produção da cana-de-açúcar avançaram no Centro-Sul, com elevação média de 10,7% por tonelada.

O aumento foi impulsionado, principalmente, pela alta nos preços dos insumos agrícolas e pelo ambiente de juros elevados, que encareceu o acesso ao crédito e também o capital de giro das propriedades e das usinas.

Na prática, esse cenário pressiona a margem do produtor e exige ainda mais eficiência na gestão da atividade, especialmente em um setor que depende de planejamento de médio e longo prazo para manter equilíbrio entre produtividade, remuneração e investimento.

Cenário climático afeta produtividade em diferentes regiões

Além da pressão de custos, o setor também avaliou o comportamento da produtividade nas principais regiões produtoras do país.

No Nordeste, a escassez de chuvas prejudicou o desempenho produtivo das lavouras, reduzindo o potencial de colheita. Por outro lado, a condição climática acabou favorecendo a qualidade da matéria-prima, um fator importante para a indústria.

Já no Centro-Sul, a leitura foi de um cenário um pouco mais equilibrado. Houve leve avanço na produtividade, embora acompanhado de uma pequena queda na qualidade da cana, o que também entra na conta da rentabilidade e da eficiência industrial.

Mercado de açúcar e etanol entra no radar para 2026

Outro ponto central da reunião foi a análise das perspectivas para os mercados de açúcar e etanol em 2026.

Com os custos mais altos e um ambiente econômico ainda desafiador, o setor acompanha de perto os fatores que podem influenciar a formação de preços, a competitividade dos biocombustíveis e a remuneração da matéria-prima.

Para os produtores paranaenses, o cenário exige atenção redobrada, já que a rentabilidade da cana não depende apenas da produtividade, mas também da relação entre custos, preços de mercado e previsibilidade regulatória.

Biocombustíveis e RenovaBio seguem como pautas estratégicas

Durante o encontro, também foram destacadas ações consideradas estratégicas para a cadeia sucroenergética ao longo de 2025, especialmente em temas ligados ao fortalecimento dos biocombustíveis.

Entre os pontos em evidência estiveram os avanços relacionados ao RenovaBio, ao programa Combustível do Futuro e à regulamentação dos CBios.

Essas frentes seguem sendo tratadas como essenciais para ampliar a competitividade do setor, garantir previsibilidade ao mercado e fortalecer o papel da cana-de-açúcar na transição energética brasileira.

Setor já mira prioridades para 2026

Além da avaliação do cenário atual, os participantes também discutiram as pautas prioritárias para 2026.

Entre elas, ganharam destaque a ampliação do uso de biocombustíveis, o fortalecimento da participação dos produtores dentro do RenovaBio e a necessidade de garantir segurança jurídica e competitividade para toda a cadeia sucroenergética.

No Paraná, esses temas têm peso direto sobre a tomada de decisão do produtor, já que influenciam investimentos, planejamento da produção e a capacidade de resposta do setor diante de mudanças regulatórias e de mercado.

Remuneração da matéria-prima também preocupa cadeia no Paraná

O debate sobre custos não ficou restrito à produção dentro da porteira. A cadeia também aprofundou discussões sobre a remuneração da matéria-prima e os desafios na relação entre o setor produtivo e a indústria.

Esse tema voltou à pauta durante reunião do Consecana-PR, que reuniu representantes da cadeia para tratar de custos, formação de preços e equilíbrio econômico do setor.

Para o produtor, a conta fecha justamente nesse ponto: custos mais altos exigem maior atenção ao modelo de remuneração da cana e à capacidade de a cadeia preservar competitividade em um ambiente cada vez mais pressionado.

Paraná acompanha cenário com foco em rentabilidade e competitividade

No Paraná, o avanço dos custos de produção da cana acende um alerta importante para a próxima safra e para o planejamento de 2026. O setor reconhece que a atividade segue estratégica, especialmente diante do protagonismo dos biocombustíveis, mas reforça que a sustentabilidade econômica depende de um ambiente mais favorável.

Entre os principais desafios estão o controle dos custos, o acesso ao crédito, a valorização da matéria-prima e a consolidação de políticas públicas que garantam previsibilidade.

A leitura da cadeia é clara: para manter a competitividade da cana-de-açúcar e aproveitar as oportunidades do mercado de energia e combustíveis renováveis, será preciso avançar ao mesmo tempo em eficiência produtiva, segurança regulatória e fortalecimento da participação do produtor nas políticas do setor.

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