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Oferta restrita e demanda firme mantêm alta do trigo no Brasil

Foto do autor Francieli Galo
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Oferta restrita e demanda firme mantêm alta do trigo no Brasil
A menor oferta na entressafra e a demanda ativa por estoques seguem sustentando a alta dos preços do trigo no mercado brasileiro.

Entressafra reduz disponibilidade no mercado spot, sustenta valorização do cereal e pressiona reajustes no segmento de farinhas para abril

Os preços do trigo continuam em alta no mercado doméstico brasileiro, sustentados pela combinação entre oferta restrita na entressafra e demanda firme. Segundo levantamento do Cepea, o cenário reflete a menor disponibilidade do cereal no mercado spot, em um momento em que muitos vendedores estão concentrados na colheita da soja e reduzem a comercialização de trigo, enquanto compradores seguem ativos na recomposição de estoques.

O movimento reforça a valorização do cereal no Brasil mesmo diante da desvalorização observada no mercado externo, e já começa a impactar outros segmentos da cadeia, como o de farinhas.

Entressafra reduz oferta e sustenta cotações

De acordo com pesquisadores do Cepea, a entressafra tem sido um dos principais fatores de sustentação dos preços do trigo no país.

Com o foco de muitos produtores voltado à colheita da soja, a oferta de trigo no mercado spot fica mais limitada. Quando vendedores entram no mercado, a tendência é pedir valores mais elevados pelos lotes disponíveis, aproveitando o ambiente de menor disponibilidade.

Essa restrição de oferta tem mantido as cotações firmes e favorecido novos avanços no mercado interno.

Compradores seguem ativos na recomposição de estoques

Do lado da demanda, o mercado também segue aquecido. Segundo o Cepea, compradores permanecem ativos na recomposição de estoques e, em alguns casos, aceitam pagar preços mais altos para garantir novos lotes. Esse comportamento ajuda a reforçar a sustentação das cotações, especialmente em um período em que a oferta está mais ajustada.

A combinação entre demanda firme e disponibilidade mais enxuta cria um ambiente de disputa maior pelo produto, o que mantém o trigo valorizado no mercado brasileiro.

Mercado interno sobe mesmo com recuo no exterior

O avanço dos preços no Brasil ocorre mesmo diante da desvalorização no mercado externo, observada na CME Group.

Segundo os pesquisadores, o movimento interno é reforçado principalmente por dois fatores: o avanço do dólar frente ao real e a alta dos preços do trigo na Argentina.

Na prática, esses elementos ajudam a sustentar a competitividade do cereal no mercado doméstico e reduzem a pressão baixista que poderia vir do exterior, mantendo o mercado brasileiro em trajetória de alta.

Farinhas devem ter reajuste positivo em abril

No segmento de farinhas, agentes de moinhos já indicam a perspectiva de reajustes positivos para abril. Esse movimento reflete diretamente a alta do trigo no mercado interno, além da preocupação com a menor produção esperada para a próxima safra e o avanço da entressafra, que tende a continuar restringindo a oferta.

Com a matéria-prima mais cara, o repasse para os derivados se torna mais provável, o que pode impactar a cadeia de panificação, massas e outros produtos que dependem da farinha de trigo.

Farelo de trigo segue pressionado pela concorrência

Enquanto o trigo e as farinhas mostram firmeza, o mercado de farelo de trigo segue em trajetória oposta. As cotações continuam em queda, mesmo com o suporte sazonal da Quaresma, período em que a demanda por ração tende a crescer devido ao aumento do consumo de pescados.

Ainda assim, segundo o Cepea, a elevada oferta de farelo de soja e milho no Brasil intensifica a concorrência entre os insumos usados na alimentação animal, o que pressiona os preços do farelo de trigo e limita qualquer reação mais consistente.

Mercado segue atento à oferta e à próxima safra

O mercado brasileiro de trigo entra em um momento de atenção redobrada, com a entressafra restringindo a oferta e sustentando a valorização do cereal. Ao mesmo tempo, a expectativa de menor produção na próxima safra reforça a preocupação com a disponibilidade futura e aumenta a pressão sobre os preços no presente.

Para os próximos meses, o comportamento da oferta interna, a evolução cambial e o cenário internacional seguirão no radar de produtores, moinhos e compradores, em um ambiente de preços firmes e custos mais elevados ao longo da cadeia.