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Mercado de trigo segue lento e frete pressiona negócios

Foto do autor Jair Reinaldo
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Mercado de trigo segue lento e frete pressiona negócios
Mercado de trigo segue com negociações pontuais e atenção redobrada para custos logísticos e redução de área em 2026/27.

Compradores buscam se abastecer para os próximos meses, enquanto frete elevado, baixa liquidez e projeções de menor área plantada mantêm o mercado cauteloso

O mercado brasileiro de trigo encerra a semana com negociações lentas e pontuais em importantes praças do Sul e Sudeste, em um ambiente marcado pela busca dos moinhos por cobertura futura, custos logísticos elevados e menor disposição de venda por parte dos produtores. A análise consta no Boletim Diário de Trigo da TF Agroeconômica.

Rio Grande do Sul: compras para frente e trigo de qualidade mais valorizado

No Rio Grande do Sul, os negócios seguem pontuais, mas com compradores tentando se abastecer para os próximos meses. Os moinhos voltaram a pagar entre R$ 1.250 e R$ 1.300 por tonelada CIF, dependendo do prazo de entrega, com indicações mais firmes para maio. A leitura do mercado é de que os menores níveis de preços dificilmente devem retornar, especialmente diante da escassez de trigo de qualidade e dos problemas observados na safra argentina. Lotes de melhor padrão ainda disponíveis no estado tendem, portanto, a encontrar maior valorização. No campo, o preço da pedra ao produtor subiu para R$ 57,00 por saca em Panambi.

Santa Catarina: trigo gaúcho ganha espaço e mercado local segue ofertado

Em Santa Catarina, a entrada de trigo gaúcho segue relevante, mas o produto local também aparece mais ofertado. O mercado catarinense continua se abastecendo de trigo do Rio Grande do Sul ao redor de R$ 1.200 por tonelada, acrescido de frete e ICMS, enquanto o trigo do próprio estado gira ao redor de R$ 1.300 CIF, ainda com menor volume de oferta.

ATF Agroeconômica aponta negócios com trigo gaúcho em torno de R$ 1.120/t mais frete, que subiu para cerca de R$ 196/t, levando o custo final para algo entre R$ 1.310 e R$ 1.315/t CIF. Também houve oferta de trigo catarinense próxima de R$ 1.300/t CIF.

Diante da alta dos custos, especialmente do frete, um moinho do leste do estado relatou reajuste médio de cerca de 3% nos preços das farinhas, movimento que vem sendo aceito pelo mercado. Nos preços de balcão, os valores permaneceram em R$ 59,00/saca em Canoinhas, R$ 60,00 em Chapecó, R$ 62,00 em Rio do Sul, recuaram para R$ 61,50 em Joaçaba, ficaram em R$ 64,00 em São Miguel do Oeste e subiram para R$ 67,00 em Xanxerê.

Paraná: estabilidade no mercado e alerta para menor safra em 2026/27

No Paraná, o mercado permaneceu estável, ainda que firme, com ritmo lento de negociações. Os moinhos seguem ativos na busca por trigo de melhor qualidade e priorizam contratos mais alongados, com entregas a partir de abril e maio. No norte paranaense, as ofertas variam entre R$ 1.350 e R$ 1.400 por tonelada, com compradores indicando cerca de R$ 1.350 posto moinho e negócios ocorrendo na faixa de R$ 1.370 a R$ 1.380 CIF. Nos Campos Gerais, as indicações estão próximas de R$ 1.300/t CIF, enquanto há poucos vendedores dispostos a negociar ao redor de R$ 1.300/t FOB.

A menor fluidez também reflete o foco do produtor na colheita de soja e milho. Além disso, o Deral estima redução de 6% na área plantada de trigo em 2026 ante 2025, para 775,6 mil hectares, o que pode representar o menor plantio do cereal no estado desde o ano 2000, além de apontar queda na produtividade média. Para o Paraná, a sinalização é importante, já que o estado é o segundo maior produtor nacional.

São Paulo: especulação domina e negócios praticamente travam

Em São Paulo, o mercado segue marcado por muita especulação e praticamente nenhum fechamento. A TF Agroeconômica relata que os moinhos querem ouvir ofertas, mas estão muito preocupados com a escalada do frete. Com isso, o produtor pede preços elevados, como R$ 1.400/t FOB interior, mas a conta não fecha para o comprador. O resultado é um mercado travado, com moinhos se abastecendo com trigo importado e buscando matéria-prima local para maio e junho.

Minas Gerais: preços em alta e sinais de redução de área

Em Minas Gerais, os preços seguem em alta, mas o mercado já começa a monitorar uma possível redução de área na próxima safra. Ainda não há uma conclusão definitiva, mas já surgem referências locais apontando diminuição do plantio, o que acende um sinal de alerta. No mercado, o trigo é indicado a R$ 1.400/t FOB para 30 dias, praticamente sem ofertas. O farelo aparece em R$ 1.100/t a granel.

A moagem e as vendas foram consideradas normais, mas a indústria relata dificuldade para repassar novos aumentos de preços das farinhas, depois de um reajuste de 4% e com perspectiva de novo avanço no início do próximo mês. Além disso, fretes e embalagens seguem pressionando os custos.