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Tabaco avança em práticas para proteger e recuperar o solo

Foto do autor Jair Reinaldo
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Tabaco avança em práticas para proteger e recuperar o solo
Projeto Solo Protegido reforça adoção de práticas conservacionistas no cultivo de tabaco e busca melhorar a saúde do solo no Sul do Brasil. Foto: SindiTabaco

Parceria entre Embrapa e SindiTabaco entra em nova fase com foco em manejo conservacionista, produtividade e sustentabilidade nas propriedades produtoras do Sul do país

O setor do tabaco vem ampliando os investimentos em práticas de conservação do solo no Sul do Brasil por meio do Projeto Solo Protegido, uma cooperação técnica entre a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e o Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco). A iniciativa entrou em uma nova fase após a apresentação dos resultados do primeiro ano de atividades, em 25 de março, dentro de um cronograma de 60 meses voltado ao diagnóstico e à promoção da qualidade do solo e da sustentabilidade em unidades produtoras de tabaco da região.

O projeto também esteve entre as ações apresentadas no estande da Embrapa durante a Expoagro Afubra 2026, feira agropecuária realizada entre os dias 24 e 27 de março, em Rincão Del Rey, Rio Pardo (RS). Com isso, o setor reforça o investimento em medidas que ampliem a resiliência dos produtores diante das adversidades climáticas e fortaleçam sistemas de produção mais sustentáveis no campo.

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Segundo a assessora técnica do SindiTabaco, Fernanda Viana Bender, o setor já acumula avanços importantes nos últimos anos na aplicação de práticas conservacionistas nas propriedades de produtores integrados às empresas associadas. Ainda assim, o objetivo segue sendo a busca contínua por melhorias na produção. Abrangendo 33 propriedades rurais do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, o projeto prevê a elaboração de planos de intervenção com base nas Boas Práticas Agrícolas (BPAs), além do monitoramento de indicadores-chave voltados à proteção, conservação e recuperação do solo.

Diagnóstico aponta espaço para manejo mais conservacionista

Ao apresentar o balanço do primeiro ano, o coordenador do Projeto Solo Protegido, Adilson Luís Bamberg, destacou etapas como o sorteio e a seleção das propriedades, além da aplicação de questionários de pré-diagnóstico. Após seminários técnicos regionais com orientadores das empresas associadas ao SindiTabaco, os questionários apontaram que a avaliação da saúde do solo precisa ir além dos indicadores químicos, como o pH, incluindo também aspectos físicos, como densidade, e biológicos, como o carbono da biomassa microbiana.

Os orientadores também aplicaram questionários técnicos sobre manejo e conservação do solo a mais de 500 produtores sorteados. Com base nos 358 produtores que responderam integralmente, o relatório de pré-diagnóstico mostrou que 86,5% são proprietários das terras, 96,4% têm no tabaco a principal fonte de renda e 83,8% pretendem continuar cultivando tabaco pelo menos até 2029, período de duração do projeto. Os participantes pertencem a 132 municípios, sendo 47,4% do Rio Grande do Sul, 29,1% de Santa Catarina e 23,5% do Paraná.

Sobre a percepção da qualidade do solo, 85,5% dos produtores fizeram avaliação positiva ou intermediária. A pesquisadora Juliana Maciel Bicca destacou que o tabaco está inserido em um sistema produtivo em transição, no qual ainda há revolvimento anual do solo, o que abre oportunidades para a adoção de práticas mais conservacionistas, como o sistema de plantio direto.

A adubação mineral predomina nas propriedades, presente em 99,4% dos casos. Além disso, 68,6% dos produtores relataram realizar análise de solo com periodicidade compatível com as recomendações técnicas, ou seja, a cada dois ou três anos, enquanto a calagem é adotada por 90,2% dos entrevistados. Já a pesquisadora Luana Centeno Cecconello ressaltou que a adoção de bioinsumos ainda está em estágio inicial, mas representa uma oportunidade para a transição para modelos de manejo mais sustentáveis e biologicamente orientados.

Práticas podem elevar produção e renda no campo

O uso de camalhões, técnica predominante no cultivo de tabaco, é considerado uma prática adequada, mas 65% dos produtores pesquisados ainda não adotam técnicas aprimoradas de construção. Segundo Adilson Bamberg, esse cenário mostra que o projeto tem espaço para avançar na demonstração de práticas e métodos que podem melhorar as condições de manejo nas propriedades.

A cobertura do solo é feita predominantemente com aveia-preta, embora pesquisas indiquem que o uso de mix de plantas de cobertura pode trazer benefícios ainda maiores quando implementado. As conclusões do primeiro relatório já apontam justamente a importância de ampliar o uso dessas misturas e de incorporar critérios técnicos para a construção dos camalhões.

Também foi verificado que a ampliação de sistemas de manejo com menor grau, ou até mesmo sem o revolvimento anual do solo, é altamente relevante. Segundo o projeto, esse tipo de prática pode melhorar a saúde do solo, com reflexos diretos no aumento da produção e no consequente acréscimo da renda do produtor rural.

Entre os respondentes da pesquisa, 81,5% manifestaram predisposição para implementar novas ações e técnicas. A partir desse grupo, foram selecionadas as 33 propriedades que farão parte das ações de intervenção. Na primeira quinzena de abril, começam as coletas de amostras para análises aprofundadas da saúde do solo. O cronograma também prevê a definição de planos de intervenção com base nos resultados das amostras, o monitoramento das Boas Práticas Agrícolas, a ampliação da capacitação técnica e a consolidação de um modelo conservacionista de manejo do solo nas propriedades produtoras de tabaco.

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