Soja opera perto de US$ 11,50 e Brasil deve impulsionar exportações
Mercado monitora demanda chinesa, regras de qualidade nos portos brasileiros, avanço da colheita e expectativa de embarques acima de 17 milhões de toneladas em março
O mercado da soja opera com leves perdas na manhã desta quarta-feira em Chicago, mas segue dando sinais de acomodação após a forte pressão registrada no início da semana. A avaliação é que as cotações buscam um novo patamar próximo de US$ 11,50 por bushel, em meio à cautela com a demanda chinesa, ao avanço da colheita na América do Sul e ao aumento da competitividade brasileira no mercado internacional.
Segundo informações da Granoeste Corretora, o contrato maio era negociado na faixa de US$ 11,54, com recuo de três pontos nesta manhã. Na sessão anterior, o mercado ensaiou alguma recuperação após o limite de baixa observado no primeiro pregão da semana, com vencimentos mais distantes avançando até 10 cents.
China segue comprando no Brasil e mercado monitora relação com os EUA
Um dos fatores acompanhados de perto pelo mercado é o adiamento da reunião entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping, movimento que reforça a percepção de recuo na demanda chinesa pela soja norte-americana.
Enquanto isso, a China segue se abastecendo de forma aberta no Brasil, onde encontra produto mais competitivo em preço.
Além da disputa comercial, outro tema relevante envolve as negociações sobre a qualidade da soja brasileira. O Ministério da Agricultura deve tratar com os chineses novos termos sobre níveis de tolerância que atendam ambas as partes, após reclamações relacionadas ao excesso de sementes de ervas daninhas em cargas embarcadas.
Classificação mais rígida nos portos trava embarques
O endurecimento da classificação da soja nos portos brasileiros também entrou no radar do mercado. De acordo com o cenário acompanhado pelo setor, algumas tradings chegaram a paralisar embarques por pelo menos uma semana diante das exigências mais rigorosas.
O tema deve seguir gerando discussões nas próximas semanas, principalmente porque a China tem recusado cargas que considera contaminadas. A avaliação é que essa questão ainda pode provocar transtornos logísticos e comerciais, justamente em um momento de maior ritmo de exportação.
Colheita avança no Paraná e exportações devem ganhar força
No mercado interno, a colheita segue avançando no país, embora em ritmo inferior ao registrado no mesmo período do ano passado.
No Paraná, levantamento do Deral aponta que a colheita da soja alcança 70% da área, com produção estimada em 22,1 milhões de toneladas, acima das 21,2 milhões de toneladas do ciclo anterior.
Em nível nacional, a Conab estima a colheita em torno de 60%, abaixo dos cerca de 70% observados no mesmo ponto de 2025.
Apesar disso, a expectativa é de forte avanço nas exportações brasileiras ao longo de março. O line-up já soma mais de 17 milhões de toneladas, superando o volume de quase 16 milhões de toneladas embarcadas em março do ano passado.
Diesel e risco de greve no transporte preocupam mercado
Além das questões de qualidade e do ritmo de colheita, o mercado também acompanha a possibilidade de paralisação no setor de transporte.
A preocupação está ligada ao forte aumento nos preços do diesel, que eleva os custos logísticos e pode afetar tanto o escoamento da safra quanto o ritmo dos embarques.
Esse fator ganha ainda mais relevância em um momento de grande concentração de movimentação nos portos e de necessidade de fluidez no transporte da produção.
Preços seguem firmes no Paraná e em Paranaguá
No mercado físico, os prêmios no spot são indicados entre -20 e -10 cents. Para maio, a faixa observada é de 5 a 15 cents, enquanto para junho as indicações ficam entre 20 e 10 cents. No oeste do Paraná, as indicações de compra giram entre R$ 116,00 e R$ 118,00 por saca.
Já em Paranaguá, os valores variam entre R$ 128,00 e R$ 131,00 por saca, a depender do prazo de pagamento, do local e também do período de embarque.
Mercado busca equilíbrio em meio a pressão e demanda aquecida no Brasil
O cenário da soja segue marcado por um equilíbrio delicado entre fatores de pressão e sustentação. De um lado, Chicago ainda sente os reflexos da incerteza sobre a demanda chinesa pela soja dos Estados Unidos e das discussões envolvendo qualidade do produto brasileiro.
De outro, o Brasil segue competitivo, com colheita avançando, demanda externa aquecida e expectativa de embarques robustos em março, o que ajuda a sustentar a atenção do mercado sobre o comportamento da safra e da logística nas próximas semanas.