Soja cai em Chicago após reação forte no pregão anterior
Mesmo com leve queda em Chicago nesta quinta-feira, mercado segue atento à possível retomada das compras chinesas e à pressão geopolítica, com soja entre R$ 120 e R$ 123 no Oeste do Paraná
Soja opera com leve queda em Chicago nesta quinta-feira, mas o mercado segue sustentado no Paraná, com indicações entre R$ 120,00 e R$ 123,00 no Oeste e até R$ 134,00 em Paranaguá, em meio à volatilidade externa e à expectativa de retomada das negociações entre Estados Unidos e China.
Na manhã desta quinta-feira, o contrato maio da soja na Bolsa de Chicago (CBOT) era negociado a US$ 11,71 por bushel, com perdas leves. Apesar do recuo pontual, o mercado ainda carrega a reação positiva da sessão anterior, quando os primeiros vencimentos encerraram o pregão com alta entre 13 e 17 pontos, após um movimento mais forte no fim do dia.
Na avaliação da Granoeste Corretora, o mercado segue atento ao ambiente externo, principalmente à possibilidade de um encontro entre os presidentes dos Estados Unidos e da China, previsto para meados de maio. Mesmo com o adiamento das conversas, investidores ainda apostam que o encontro pode destravar a retomada das negociações envolvendo a soja entre os dois países.
Para o produtor, isso importa diretamente porque qualquer sinal de reaproximação entre as duas maiores economias do mundo tende a mexer com Chicago e, por consequência, com a formação dos preços no Brasil.
Mercado internacional mantém viés de cautela
Além da expectativa em torno da relação comercial entre EUA e China, o mercado também continua reagindo aos desdobramentos da guerra no Oriente Médio.
Com o avanço das tensões, o petróleo voltou a subir e superou novamente a marca de US$ 100 por barril, o que amplia a volatilidade nos mercados financeiros e reforça o clima de cautela entre os investidores.
Na prática, esse ambiente aumenta a sensibilidade dos preços agrícolas, já que a soja passa a reagir não só aos fundamentos de oferta e demanda, mas também ao humor global dos mercados, ao apetite por risco e ao comportamento de outras commodities.
Brasil: prêmios e mercado físico sustentam preços
No mercado brasileiro, os prêmios de exportação seguem como um fator importante de sustentação.
No mercado spot, as indicações giram entre -10 e +5 cents por bushel. Para maio, os prêmios são apontados entre +5 e +15 cents, enquanto para junho variam de +5 a +20 cents.
Esse comportamento ajuda a manter a soja brasileira competitiva e pode compensar parte das oscilações de Chicago, especialmente em momentos de maior instabilidade externa.
No Paraná, os preços seguem firmes. No Oeste do estado, as indicações de compra variam entre R$ 120,00 e R$ 123,00 por saca, enquanto em Paranaguá os negócios aparecem entre R$ 130,00 e R$ 134,00, dependendo do prazo de pagamento, local e período de embarque.
Para o produtor paranaense, o cenário ainda exige atenção redobrada à estratégia comercial. Mesmo com oscilações em Chicago, a combinação entre prêmios, câmbio e demanda externa pode gerar oportunidades pontuais de venda, principalmente para quem acompanha de perto as janelas de mercado.
A leitura do mercado é de que, enquanto persistirem as incertezas geopolíticas e a expectativa em torno da China, a soja deve continuar operando com volatilidade elevada. Nesse ambiente, monitorar bolsa, prêmio e logística segue sendo decisivo para capturar melhores preços.