Esmagamento de soja cresce e Brasil projeta novo recorde em 2026
Alta na produção e demanda por derivados impulsionam indústria; janeiro já registra crescimento de 8,9% no processamento
O país deve esmagar 61,5 milhões de toneladas de soja em 2026, segundo nova projeção da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove). O número representa um novo recorde para o setor e reforça o avanço da industrialização da soja no país, puxado pela oferta robusta e pela demanda por farelo e óleo.
A estimativa foi revisada para cima em relação ao levantamento anterior e indica crescimento na capacidade da indústria de absorver a safra. Na prática, isso significa mais soja sendo processada internamente e menos dependência da exportação exclusiva do grão in natura.
Esse movimento se reflete diretamente nos derivados. A produção de farelo de soja deve chegar a 47,4 milhões de toneladas, enquanto o óleo de soja pode alcançar 12,35 milhões de toneladas em 2026 — volumes que reforçam o papel do Brasil não apenas como produtor, mas como fornecedor global de proteína e energia.
Indústria ganha espaço dentro da porteira
O avanço do esmagamento mostra uma mudança importante na dinâmica do setor. Com mais processamento no país, o produtor passa a contar com maior demanda interna, o que pode ajudar na sustentação de preços e na liquidez, especialmente em momentos de volatilidade no mercado externo.Além disso, o crescimento da indústria fortalece cadeias como a de ração animal e biodiesel, ampliando o impacto da soja dentro da economia agroindustrial.
Exportações seguem em alta
Mesmo com maior processamento interno, o Brasil deve manter forte presença no mercado global. A projeção indica exportação de 111,5 milhões de toneladas de soja em grão em 2026.
No caso dos derivados, o país também avança. As vendas externas de farelo devem atingir 24,6 milhões de toneladas, enquanto o óleo de soja deve registrar crescimento de 3,4%, chegando a 1,5 milhão de toneladas.
Esse cenário mostra que o Brasil consegue expandir simultaneamente a industrialização e a exportação, aproveitando a dimensão da safra.Início de 2026 já confirma tendência
Os dados do primeiro mês do ano reforçam esse ritmo. Em janeiro de 2026, o processamento somou 3,689 milhões de toneladas — alta de 8,9% em relação ao mesmo período do ano passado.O desempenho indica que o setor começa o ano aquecido, com capacidade de manter o ritmo necessário para alcançar o recorde projetado.
Base forte em 2025
O crescimento projetado para 2026 vem na sequência de um ano já robusto. Em 2025, o esmagamento de soja no Brasil totalizou 58,7 milhões de toneladas.
A produção de farelo fechou em 44,85 milhões de toneladas, enquanto o óleo atingiu 11,93 milhões. Já as exportações de soja em grão chegaram a 108,18 milhões de toneladas.
Esse histórico recente mostra que o setor vem em trajetória consistente de expansão, sustentando as expectativas positivas para o próximo ciclo.