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StoneX eleva safra de soja e mantém alerta para milho safrinha

Foto do autor Jair Reinaldo
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StoneX eleva safra de soja e mantém alerta para milho safrinha
StoneX elevou a estimativa da safra brasileira de soja e revisou o milho de verão para cima, enquanto a safrinha segue no radar por causa do clima

Consultoria eleva projeção da soja para 179,7 milhões de toneladas, ajusta milho de verão para cima e reduz levemente a estimativa da segunda safra por atrasos no plantio e incertezas climáticas

A StoneX revisou para cima sua estimativa para a safra brasileira de soja 2025/26 e reforçou a expectativa de um novo recorde de produção no país. No relatório de abril, a consultoria elevou em 1% sua projeção em relação ao mês anterior, levando o volume total para 179,7 milhões de toneladas. O ajuste confirma um cenário de ampla oferta, mesmo diante das perdas provocadas por eventos climáticos adversos em algumas regiões, especialmente no Rio Grande do Sul.

Segundo a empresa global de serviços financeiros, o avanço da colheita em diferentes estados trouxe resultados acima do esperado e compensou parte dos impactos negativos registrados no Sul. Com isso, a produtividade média nacional foi revisada para 3,69 toneladas por hectare, refletindo um desempenho mais forte em áreas das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

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As revisões mais expressivas ocorreram justamente nesses estados, onde as condições de desenvolvimento das lavouras foram mais favoráveis ao longo do ciclo. Na avaliação da StoneX, com a colheita se aproximando da reta final, a safra de soja passa a ficar menos exposta a mudanças significativas, consolidando a perspectiva de uma produção histórica no Brasil, ainda que o potencial máximo tenha sido parcialmente limitado pelo clima em algumas áreas.

Soja caminha para recorde com ganhos fora do Sul

A nova revisão positiva reforça o peso das regiões que apresentaram melhor desempenho na compensação das perdas registradas no Rio Grande do Sul. Embora o estado tenha sofrido mais com eventos climáticos adversos, o avanço da colheita em outras praças mostrou produtividade superior à inicialmente projetada, sustentando o ajuste para cima no volume nacional.

No balanço de oferta e demanda da soja, a StoneX manteve inalteradas as estimativas de consumo doméstico, em 65 milhões de toneladas, e de exportações, em 112 milhões de toneladas. Com a produção maior, os estoques finais também foram revisados para cima, passando a 6,44 milhões de toneladas.

Esse cenário reforça a leitura de que o Brasil seguirá com grande disponibilidade da oleaginosa no mercado interno e forte presença no comércio global. No ambiente internacional, a consultoria destaca ainda que o mercado segue atento à relação entre China e Estados Unidos, com expectativa de um possível encontro entre os presidentes dos dois países em maio, fator que pode influenciar diretamente o fluxo global de demanda e os preços.

Milho de verão sobe, mas safrinha segue no radar

No milho, o relatório de abril trouxe sinais mistos. A primeira safra 2025/26 teve revisão positiva e passou a ser estimada em 27,2 milhões de toneladas, alta de 1,5% em relação ao levantamento anterior. O avanço foi puxado, principalmente, pela melhora nas expectativas de produtividade em estados do Norte e Nordeste, elevando também o rendimento médio nacional.

Se confirmada, essa produção da safra de verão será 6,6% superior à do ciclo anterior, reforçando o papel estratégico da primeira safra no abastecimento doméstico. Como o consumo interno de milho no Brasil supera o volume exportado, a produção colhida no início do ano tem importância central para garantir o suprimento até a entrada mais consistente da segunda safra no mercado, no segundo semestre.

Já a safrinha segue exigindo cautela. A StoneX reduziu levemente sua estimativa para a segunda safra de milho em 0,6%, com a produção agora projetada em 106 milhões de toneladas. O principal motivo foi a revisão de área plantada em alguns estados, com destaque para São Paulo e Mato Grosso, onde os atrasos no plantio levaram a ajustes negativos.

Além da questão da área, o clima continua no centro das atenções. Algumas previsões meteorológicas indicam volumes de chuva abaixo da média ao longo de abril, o que levou a consultoria a também reduzir levemente a expectativa de produtividade no Paraná. Apesar disso, a StoneX pondera que os modelos climáticos ainda podem sofrer alterações, e que as próximas semanas serão decisivas para a definição do potencial produtivo da safrinha.

Considerando as três safras de milho no ciclo 2025/26, incluindo a terceira safra estimada em 2,5 milhões de toneladas, a produção total foi ajustada de 136 milhões para 135,7 milhões de toneladas. No balanço de oferta e demanda, além do pequeno corte na produção, a StoneX reduziu sua projeção de exportações para 42 milhões de toneladas, refletindo uma demanda interna mais aquecida. Ainda assim, os estoques finais devem permanecer em nível elevado, justamente para assegurar o abastecimento até a entrada da safrinha no mercado.

Para o produtor rural, o relatório de abril reforça dois cenários distintos: na soja, o Brasil se aproxima de uma safra recorde cada vez mais consolidada, com impacto direto sobre oferta, logística e comercialização; no milho, embora a safra de verão tenha melhorado, a segunda safra continua dependente do comportamento do clima e do desenvolvimento das lavouras nas próximas semanas, especialmente em estados estratégicos como Paraná e Mato Grosso.

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