Sorgo avança e ganha espaço na segunda safra no Brasil
Relatório aponta que a cultura ganha protagonismo em áreas de maior risco climático, com menor custo e mais competitividade frente ao milho safrinha
O sorgo vem ganhando protagonismo no campo brasileiro e deixando de ser apenas uma cultura secundária para se consolidar como alternativa estratégica ao milho safrinha, principalmente em regiões de maior risco climático e em áreas com janelas mais curtas de plantio. É o que mostra o Radar Agro, material produzido pela Consultoria Agro do Itaú BBA, ao destacar que a cultura vem ampliando sua presença justamente onde o milho enfrenta mais limitações de custo, produtividade e exposição ao clima.
Segundo o relatório, a produção brasileira de sorgo deve alcançar 6,9 milhões de toneladas na safra 2025/26, volume que mais do que dobra em relação ao registrado cinco anos atrás. O avanço reflete uma mudança estrutural no posicionamento da cultura dentro do sistema produtivo, especialmente em regiões onde o cereal passa a ser visto como ferramenta de gestão de risco e de preservação de rentabilidade na segunda safra.
O estudo ressalta que o sorgo não substitui integralmente o milho, mas se torna uma alternativa importante em áreas onde a janela de semeadura mais tardia e a menor regularidade das chuvas aumentam o risco para o cereal tradicional. Nesses cenários, a maior tolerância do sorgo ao estresse hídrico e a capacidade de manter viabilidade produtiva em condições menos favoráveis fortalecem sua competitividade dentro do planejamento do produtor.
Outro ponto que reforça esse movimento é o custo de produção. Em Goiás, referência utilizada no levantamento, o custo operacional do sorgo foi estimado em R$ 2.205 por hectare, enquanto o milho alcançou R$ 3.650 por hectare. Na prática, isso significa que o sorgo exige um investimento consideravelmente menor, fator que pesa na decisão do produtor em anos de maior incerteza climática ou quando a margem da safrinha fica mais pressionada.
O Radar Agro também destaca que, em determinadas condições, o sorgo pode apresentar melhor relação risco-retorno que o milho. Pelos cálculos apresentados, quando a produtividade do milho fica abaixo de 77 sacas por hectare, a rentabilidade tende a se aproximar da do sorgo, e abaixo desse patamar o cereal alternativo pode se tornar mais vantajoso. Esse cenário reforça o papel do sorgo como opção estratégica em regiões onde o desempenho do milho é mais sensível ao atraso no plantio ou à irregularidade das chuvas.
Com isso, a cultura ganha espaço não apenas como solução pontual, mas como parte do planejamento produtivo de propriedades que buscam reduzir exposição ao risco e diversificar a segunda safra. O avanço do sorgo, portanto, reflete uma mudança importante no campo brasileiro: em vez de ser apenas uma alternativa emergencial, o cereal passa a ocupar uma posição cada vez mais relevante na estratégia de produção e de rentabilidade do produtor.