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André de Paula assume o Mapa após saída de Carlos Fávaro

Foto do autor Jair Reinaldo
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André de Paula assume o Mapa após saída de Carlos Fávaro
Carlos Fávaro encerra ciclo no Ministério da Agricultura, e André de Paula assume o comando do Mapa a partir de 1º de abril. Foto: Valter Campanato / Agência Brasil

Carlos Fávaro retorna ao Ministério da Agricultura apenas para coordenar a transição, enquanto André de Paula deixa a Pesca para assumir o comando da pasta em meio à reorganização do governo federal

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) passará por uma mudança de comando nos próximos dias. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva nomeou novamente Carlos Fávaro nesta segunda-feira (30) para que ele retorne temporariamente à pasta e conduza a reta final de sua gestão, além de preparar a transição para André de Paula, que assumirá oficialmente o cargo na quarta-feira (1º).

A nomeação foi publicada em edição extra do Diário Oficial da União. A volta de Fávaro ao ministério ocorre após sua exoneração temporária na última sexta-feira (27), quando retomou o mandato no Senado em uma articulação do governo relacionada à votação da CPMI do INSS no Congresso Nacional.

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Com a movimentação, houve alteração na composição da comissão, o que favoreceu a base governista. Após a votação, Fávaro confirmou que retornaria ao Mapa apenas para organizar a transição e encerrar o ciclo à frente da pasta.

André de Paula deixa a Pesca e assume a Agricultura

O novo ministro da Agricultura será André de Paula (PSD-PE), atual titular do Ministério da Pesca e Aquicultura. A posse está marcada para quarta-feira (1º), às 15h, em cerimônia na Embrapa.

Com a mudança, André de Paula deixa o comando da Pesca e transfere a pasta para Rivetla Edipo Araújo Cruz, atual secretária-executiva do ministério. Antes da posse no Mapa, ele também fará a transmissão do cargo na Pesca durante a manhã.

A troca mantém o Ministério da Agricultura sob comando do PSD. Carlos Fávaro deixa o posto para focar em sua candidatura ao Senado por Mato Grosso nas eleições deste ano.

Mudança ocorre em momento estratégico para o agro

A troca no comando do Mapa acontece em um momento sensível para o agronegócio brasileiro, com a pasta no centro de discussões importantes para o setor, como política agrícola, crédito rural, defesa sanitária, abertura de mercados internacionais e planejamento das próximas safras.

Além da mudança ministerial, a transição pode trazer alterações na equipe. Entre as movimentações já citadas nos bastidores estão a saída do secretário-executivo Irajá Lacerda, que deve disputar vaga na Câmara dos Deputados por Mato Grosso, e do secretário de Política Agrícola, Guilherme Campos, que pode concorrer a deputado estadual em São Paulo.

Para a sequência da gestão, Cléber Soares é apontado como possível novo secretário-executivo, enquanto Wilson Vaz de Araújo pode retornar à Secretaria de Política Agrícola, ainda que de forma temporária. André de Paula também deve levar ao Mapa seu assessor especial Lázaro Medeiros, embora o cargo ainda não tenha sido oficialmente definido.

Troca no comando do Mapa marca fim da gestão de Carlos Fávaro

Carlos Fávaro encerra sua passagem pelo Ministério da Agricultura com uma marca relevante para o agro brasileiro: a abertura de 555 novos mercados internacionais desde o início de 2023, número que se tornou um dos principais símbolos de sua gestão.

Em publicação nas redes sociais, o ministro afirmou que está “encerrando um grande ciclo de vida pessoal e profissional” e destacou ações como a ampliação do acesso a mercados, os programas Caminho Verde Brasil e Promaq, além da reestruturação do Inmet e da Embrapa.

Na despedida, Fávaro também afirmou que sai com a sensação de “dever cumprido” e que seguirá atuando em defesa do setor no Senado. A fala reforça o tom político da transição, mas também evidencia a tentativa de consolidar um legado ligado à expansão comercial e à modernização de estruturas estratégicas para o agronegócio.

André de Paula assume pasta com orçamento maior e novo desafio

Ao deixar o Ministério da Pesca e Aquicultura, André de Paula assume um desafio de maior peso político e orçamentário dentro do governo federal. Enquanto a pasta da Pesca operava com cerca de R$ 270 milhões para gestão e programas finalísticos, o Ministério da Agricultura administra um orçamento significativamente superior.

No Mapa, o novo ministro terá sob sua responsabilidade cerca de R$ 12,1 bilhões, incluindo despesas administrativas, previdência de servidores e políticas públicas. Desse total, aproximadamente R$ 4,5 bilhões são destinados à gestão direta e programas da pasta.

Além disso, o ministério tem ligação com estruturas estratégicas para o agro, como a Embrapa, com orçamento superior a R$ 4,8 bilhões, e o Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé), que soma R$ 7,4 bilhões em 2026.

Nova fase no Mapa pode influenciar pautas do setor

A chegada de André de Paula marca o início de uma nova fase no Ministério da Agricultura e Pecuária, em um momento em que o setor acompanha de perto temas ligados à competitividade, custos de produção, defesa agropecuária e expansão comercial.

Embora a transição tenha sido costurada politicamente, o mercado deve observar com atenção quais serão as prioridades do novo ministro e se haverá continuidade nas principais agendas conduzidas por Fávaro, especialmente em relação à abertura de mercados, ao fortalecimento institucional e à interlocução com o setor produtivo.

Para o agronegócio, a mudança no comando do Mapa representa mais do que uma troca de nomes: pode significar uma redefinição de estratégias em uma das pastas mais importantes para a atividade no país.

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