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Governo amplia crédito para genética na pecuária sustentável

Foto do autor Jair Reinaldo
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Governo amplia crédito para genética na pecuária sustentável
Nova resolução do CMN amplia o crédito rural para melhoramento genético na pecuária, com financiamento de sêmen, óvulos, embriões e serviços reprodutivos no RenovAgro. Foto: Ministério da Agricultura e Pecuária / Divulgação

Resolução do CMN autoriza financiamento de sêmen, óvulos e embriões no RenovAgro, sem limite percentual no projeto, ampliando o acesso a biotecnologias reprodutivas na pecuária

O governo federal ampliou o acesso ao crédito rural para o melhoramento genético da pecuária sustentável com a aprovação da Resolução CMN nº 5.288, publicada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). A medida expande as finalidades financiáveis dentro do Programa de Financiamento a Sistemas de Produção Agropecuária Sustentáveis (RenovAgro) e permite que produtores rurais utilizem recursos para a aquisição de sêmen, óvulos e embriões, além de custear serviços ligados à inseminação artificial e à transferência de embriões.

A mudança representa um avanço importante para a política de crédito rural de baixo carbono, ao incorporar de forma mais ampla tecnologias reprodutivas capazes de elevar a produtividade do rebanho e, ao mesmo tempo, reduzir impactos ambientais nos sistemas pecuários.

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RenovAgro amplia crédito para genética animal

Com a nova resolução, passam a ser financiáveis no RenovAgro os materiais genéticos destinados ao melhoramento de bovinos, bubalinos, ovinos e caprinos, além dos serviços necessários para sua utilização nas propriedades rurais.

Na prática, isso significa que o produtor poderá acessar crédito para investir em biotecnologias reprodutivas consideradas estratégicas para elevar o desempenho do rebanho, com reflexos diretos sobre produtividade, eficiência e rentabilidade da atividade.

O ponto de maior destaque é que esses itens passam a ser financiáveis sem restrição de limite percentual dentro do projeto, permitindo ao produtor usar a integralidade do limite disponível no programa para essa finalidade.

Produtor poderá usar até R$ 5 milhões no programa

A resolução altera o Manual de Crédito Rural (MCR) e permite que o produtor utilize o limite total disponibilizado pelo RenovAgro, atualmente de até R$ 5 milhões, para aquisição de material genético e contratação dos serviços associados.

Antes, havia limitações percentuais que restringiam o peso desses itens dentro do valor global do projeto. Agora, com a nova regra, a genética animal ganha mais espaço dentro da estrutura de financiamento do programa.

O prazo de financiamento para essa finalidade será de até cinco anos, com carência de até 12 meses após a contratação, o que oferece mais previsibilidade ao produtor para planejar os investimentos e capturar os ganhos produtivos ao longo do tempo.

Medida reforça pecuária de baixo carbono

A inclusão do melhoramento genético entre as finalidades financiáveis reforça o papel do RenovAgro como principal instrumento de crédito rural voltado a sistemas de produção agropecuária de baixo carbono no Brasil.

A lógica por trás da medida é que rebanhos mais eficientes, do ponto de vista reprodutivo e produtivo, conseguem produzir mais utilizando menos recursos, com menor necessidade de matrizes, menor consumo de insumos e redução das emissões por unidade produzida.

Com isso, o governo amplia o alcance de uma política que busca alinhar produtividade e sustentabilidade, duas frentes cada vez mais decisivas para a competitividade da pecuária brasileira.

Biotecnologias podem reduzir pegada de carbono da produção

Segundo os estudos técnicos citados na justificativa da medida, a adoção da inseminação artificial em tempo fixo (IATF) pode reduzir em até 37% a pegada de carbono por litro de leite produzido na pecuária leiteira.

Nos sistemas de bovinos de corte em ciclo completo, a redução pode chegar a 49% da pegada de carbono por quilo de peso vivo, em comparação com modelos baseados exclusivamente na monta natural.

Esses ganhos decorrem principalmente de avanços nos índices reprodutivos, como redução da idade ao primeiro parto, encurtamento do intervalo entre partos e maior eficiência geral do rebanho, fatores que elevam a produção com menor emissão relativa de gases de efeito estufa.

Ganhos produtivos elevam competitividade do rebanho

Além dos efeitos ambientais, a medida também tem forte impacto econômico e zootécnico para a pecuária nacional.

Entre os resultados produtivos já documentados, destacam-se a redução da idade ao primeiro parto de 48 para 24 meses e o aumento da taxa de desmame de 60% para 80% em sistemas de bovinos de corte.

Na prática, esses indicadores significam mais eficiência reprodutiva, maior giro do rebanho, melhor aproveitamento das matrizes e mais animais produzidos por área e por ciclo, com efeito direto sobre a competitividade do produtor rural.

Para o setor, o avanço reforça uma estratégia cada vez mais necessária: crescer em produtividade sem depender exclusivamente da expansão de área.

Pronaf também amplia acesso à genética reprodutiva

A mesma resolução aprovada pelo CMN também promove ajustes no Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf).

Com isso, os agricultores familiares também passam a ter acesso ampliado às mesmas biotecnologias reprodutivas, especialmente para a aquisição de sêmen, óvulos e embriões destinados à pecuária leiteira.

Nesse caso, a política prevê taxas de juros diferenciadas, o que pode facilitar a adoção dessas ferramentas por pequenos produtores e ampliar o alcance do melhoramento genético também dentro da agricultura familiar.

A medida é relevante porque leva inovação e eficiência para propriedades de menor escala, onde ganhos reprodutivos costumam ter forte impacto sobre renda, produção e estabilidade do negócio.

Mapa reforça agenda de eficiência e sustentabilidade

A ampliação do crédito para genética animal está alinhada à agenda do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) voltada à promoção de sistemas produtivos mais eficientes e ambientalmente responsáveis.

A pecuária brasileira tem peso expressivo na economia nacional, e a melhoria dos índices reprodutivos é apontada como uma das formas mais eficazes de elevar a produção de alimentos sem ampliar proporcionalmente o uso de terra, água, insumos e energia.

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