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Leite tem queda de preços e pressão de importações

Foto do autor Jair Reinaldo
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Leite tem queda de preços e pressão de importações
Representantes da CNA discutiram cenário do setor lácteo, com destaque para queda de preços ao produtor e aumento das importações Foto: CNA / Divulgação

Reunião no Mapa destacou queda de preços, aumento das importações e desafios com custos, mão de obra e regras do setor

Após uma queda acumulada de 25% nos preços em 2025, o setor lácteo brasileiro segue pressionado por margens negativas e aumento das importações, cenário que preocupa produtores e lideranças do agro. O tema foi discutido durante a reunião da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Leite e Derivados, no Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), com participação da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

De acordo com análise apresentada pela Embrapa Gado de Leite, o mercado enfrenta um momento delicado, influenciado tanto por fatores internos, como o ritmo da economia doméstica, quanto por fatores externos, especialmente o avanço das importações de lácteos vindos de países do Mercosul.

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Nos últimos três meses, a atividade leiteira operou com margens negativas, reflexo direto do aumento da oferta de produtos importados e da queda nas cotações pagas ao produtor. No fechamento de 2025, os preços recuaram de forma significativa, com os valores de dezembro atingindo o menor nível desde fevereiro de 2018.

Na prática, o cenário indica perda de rentabilidade no campo, o que pode afetar a produção e a capacidade de investimento dos produtores nos próximos ciclos.

Importações e sazonalidade no radar do setor

O avanço das importações tem sido um dos principais pontos de atenção para a cadeia leiteira.

Produtos vindos de países do Mercosul vêm ampliando a oferta no mercado interno e contribuindo para pressionar os preços pagos ao produtor brasileiro. Esse movimento ocorre em um momento de fragilidade da atividade, agravando o desequilíbrio entre custos e receita no campo.

Apesar disso, a expectativa do setor é de que a sazonalidade da produção possa ajudar na recuperação das cotações no médio prazo, com possível redução da oferta interna ao longo do ano.

Esse ajuste natural do mercado pode trazer algum alívio para os produtores, mas ainda há incertezas sobre a intensidade dessa recuperação.

Revisão de regras e novos regulamentos

Outro tema debatido na reunião foi a revisão dos Regulamentos Técnicos de Identidade e Qualidade (RTQ) de produtos como requeijão e doce de leite, além da elaboração de normas específicas para o soro de leite.

A atualização dessas regras é considerada importante para garantir padronização, qualidade e maior segurança nas relações comerciais dentro da cadeia.

Para o setor produtivo, mudanças regulatórias podem impactar tanto os custos industriais quanto a competitividade dos produtos no mercado interno e externo.

Mão de obra e custos preocupam cadeia leiteira

Além dos fatores de mercado, a reunião também abordou temas estruturais que podem influenciar o setor, como possíveis mudanças na legislação trabalhista, incluindo o debate sobre o fim da escala de trabalho 6x1.

Os participantes destacaram que qualquer alteração deve ser baseada em estudos técnicos, considerando os impactos diretos sobre a produção agropecuária.

Segundo representantes da CNA, o setor já enfrenta dificuldades relacionadas à escassez de mão de obra no campo, e mudanças no regime de trabalho podem agravar esse cenário, elevando custos e pressionando ainda mais a cadeia produtiva.

Há preocupação de que esse movimento possa, inclusive, resultar em aumento no preço dos alimentos ao consumidor final.

Frete e segurança jurídica entram na pauta

Outro ponto discutido foi o tabelamento do frete, tema que segue gerando debate no setor produtivo e no meio jurídico.

Durante o encontro, o consultor jurídico da CNA, Rodrigo Kaufman, apresentou um panorama das discussões no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a constitucionalidade da medida.

Para o agro, a questão do frete é estratégica, já que impacta diretamente os custos logísticos e a competitividade da produção, especialmente em cadeias como a do leite, que dependem de transporte frequente e eficiente.

Cenário exige atenção do produtor

O conjunto de fatores discutidos na reunião reforça que o setor lácteo atravessa um momento de atenção.

A combinação de queda de preços, aumento das importações, custos elevados e desafios estruturais coloca pressão sobre a atividade, especialmente para produtores que já operam com margens reduzidas.

Ao mesmo tempo, a possível recuperação ao longo do ano, puxada pela sazonalidade, pode trazer algum equilíbrio ao mercado, embora ainda cercado de incertezas.

Para o produtor rural, o cenário exige cautela, gestão eficiente e atenção às movimentações do mercado, já que mudanças tanto no ambiente econômico quanto regulatório podem impactar diretamente a rentabilidade da atividade leiteira.

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