Preço dos ovos recua no fim de março, mas média segue alta
Cotações caem pela primeira vez desde o início da Quaresma, mas altas da primeira quinzena ainda sustentam avanço da média mensal em março
Os preços dos ovos recuaram nos últimos dias de março, em um movimento que marca a primeira queda desde o início da Quaresma, em 18 de fevereiro. A reta final do período religioso não foi suficiente para sustentar a demanda, que perdeu força com a entrada da segunda quinzena do mês, fase em que tradicionalmente o consumo perde ritmo.
Mesmo assim, o mercado ainda registra um cenário positivo na comparação mensal. Isso porque as altas observadas na primeira metade de março seguem garantindo que a média parcial do mês, até o dia 25, permaneça acima dos níveis de fevereiro.
Demanda perde força na segunda quinzena e pressiona cotações
Segundo o Cepea, a demanda por ovos perdeu intensidade na segunda metade de março, refletindo um comportamento considerado típico para o período. Com menos força nas compras, as cotações acabaram registrando queda em todas as regiões acompanhadas pelo centro de pesquisas.
O movimento chama atenção porque interrompe uma sequência de valorização que vinha desde o começo da Quaresma. Até então, o mercado vinha sustentando preços mais firmes, apoiado pelo aumento do consumo da proteína durante o período religioso.
Na prática, a desaceleração nas vendas foi suficiente para mudar o ritmo do mercado nos últimos dias e gerar pressão sobre os valores negociados.
Baixa liquidez pesa mais do que a oferta controlada
Agentes consultados pelo Cepea indicam que, apesar de a oferta seguir controlada nas principais regiões produtoras, o fator decisivo neste momento tem sido a baixa liquidez.
Ou seja, não é exatamente um excesso de produto no mercado que derruba os preços, mas sim o menor volume de negócios. Com menos compradores ativos e ritmo mais lento nas negociações, aumentou a busca por descontos, o que acabou puxando as cotações para baixo.
Esse cenário reforça um ponto importante para o setor: mesmo quando a oferta está ajustada, a falta de fluidez nas vendas pode rapidamente enfraquecer os preços ao produtor.
Altas da primeira quinzena ainda sustentam média mensal
Apesar da queda mais recente, março ainda segue com desempenho positivo quando comparado a fevereiro. As valorizações registradas na primeira quinzena do mês foram fortes o suficiente para manter a média mensal dos ovos em patamar mais elevado, mesmo com o recuo observado na reta final.
Para o produtor, isso significa que o ajuste atual nas cotações ainda não apaga o avanço acumulado ao longo do mês. Ainda assim, o comportamento da demanda nos próximos dias será determinante para saber se essa sustentação permanece ou se o mercado entra em um movimento mais amplo de correção.
Semana Santa pode trazer reação nas vendas
A expectativa do setor agora se volta para a próxima semana, com o início da Semana Santa, período em que a demanda por ovos tradicionalmente tende a ganhar força.
Segundo pesquisadores do Cepea, a perspectiva é de retomada das vendas, o que pode melhorar a liquidez do mercado e dar algum suporte às cotações. Como a proteína costuma ganhar espaço nas compras durante esse período, o setor aposta em um ambiente mais favorável para os negócios na virada entre março e abril.
Se esse aumento na procura se confirmar, o mercado pode encontrar um novo ponto de equilíbrio, reduzindo a pressão recente e trazendo algum fôlego para os preços.
Setor monitora consumo para definir rumo das cotações
No agro, a leitura é de um mercado sensível ao comportamento do consumo, mesmo em um período tradicionalmente positivo para a proteína. A queda recente mostra que a reta final da Quaresma já não foi suficiente para sustentar a intensidade das vendas, mas a média mensal ainda reflete o bom desempenho da primeira metade de março.
Agora, o foco do setor está na Semana Santa, que pode ser decisiva para definir se os preços voltam a reagir ou se a pressão observada nos últimos dias continua ganhando espaço. Para o produtor, o momento é de atenção à liquidez e ao ritmo das negociações, que seguem como os principais motores do mercado de ovos no curto prazo.