Exportações de ovos caem 36% e atingem mínima
Menor demanda internacional derruba embarques para 1,87 mil toneladas e reduz receita do setor em março
As exportações brasileiras de ovos somaram 1,87 mil toneladas em março, queda de 36% em relação a fevereiro e o menor volume desde dezembro de 2024. O resultado também representa retração de 50% frente ao mesmo período do ano passado, refletindo a perda de ritmo da demanda internacional.
Os dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), analisados por pesquisadores do Cepea, mostram que o recuo nos embarques está diretamente ligado à menor procura dos principais parceiros comerciais da proteína.
Apesar da forte queda no volume, a redução no faturamento foi menos intensa. Em março, a receita com exportações totalizou US$ 4,53 milhões, baixa de 27% na comparação mensal e de 48% frente a março de 2025.
Demanda externa mais fraca pressiona o setor
A desaceleração das compras internacionais tem limitado o escoamento da produção brasileira no mercado externo. Esse cenário tende a aumentar a oferta no mercado interno, o que pode pressionar os preços ao produtor nos próximos meses.
Para o setor, a exportação funciona como importante válvula de equilíbrio, ajudando a sustentar as cotações domésticas. Com a retração dos embarques, esse suporte perde força.
Impactos no mercado interno
Com menor volume destinado ao exterior, parte da produção permanece no país, ampliando a disponibilidade interna. Na prática, isso pode gerar maior concorrência entre produtores e indústrias, especialmente em períodos de consumo mais fraco.
Além disso, a queda nas exportações reduz a entrada de receita em dólar, o que impacta a rentabilidade da cadeia produtiva.
Atenção ao comportamento da demanda global
O desempenho das exportações de ovos nos próximos meses dependerá, principalmente, da retomada da demanda internacional. Caso o cenário de baixa procura persista, o setor pode enfrentar um período de maior pressão sobre preços e margens.
Por outro lado, uma recuperação nas compras externas pode reequilibrar o mercado e devolver sustentação às cotações.