Nova batata-doce da Embrapa une nutrição, produtividade e resistência
Cultivar BRS Prenda chega ao mercado com alto teor nutricional, boa resistência a pragas, produtividade de até 50 toneladas por hectare e maior vida útil após a colheita
A Embrapa apresentou uma nova cultivar de batata-doce que promete chamar a atenção tanto no campo quanto no mercado consumidor. Batizada de BRS Prenda, a novidade chega como um alimento biofortificado, com alta concentração de carotenoides, além de reunir características agronômicas valorizadas por produtores, como alta produtividade, boa resistência a pragas e doenças e maior facilidade de manejo e colheita.
Voltada ao consumo de mesa, a nova cultivar também se destaca pela polpa amarelo-intensa, pela casca rosada e pelo potencial de agregar valor na comercialização, inclusive em nichos ligados à culinária diferenciada.
Nova cultivar combina produtividade e menor uso de insumos
Um dos principais diferenciais da BRS Prenda está no desempenho produtivo. Segundo a Embrapa, a cultivar pode render mais de 2 quilos por planta, resultado que corresponde a cerca de 50 toneladas por hectare em lavouras bem conduzidas, patamar considerado elevado para cultivos de hortaliças.
Além disso, a nova batata-doce apresenta boa resistência a pragas e doenças, característica que pode contribuir para otimizar o uso de insumos e reduzir parte dos custos de produção.
Outro ponto importante está na arquitetura da planta. Com ramas curtas e eretas, a cultivar facilita o manejo no campo e torna a colheita mais prática, um diferencial relevante frente a materiais que costumam se espalhar mais sobre o solo.
Alimento biofortificado atende demanda do consumidor
Do ponto de vista nutricional, a BRS Prenda se enquadra entre os chamados alimentos biofortificados, graças à alta concentração de carotenoides, compostos associados à coloração intensa da polpa e valorizados por seus benefícios nutricionais.
De acordo com o pesquisador Luis Antônio Suíta de Castro, da Embrapa Clima Temperado, o objetivo foi desenvolver um material que unisse produtividade, qualidade visual, valor nutricional e melhor conservação após a colheita.
Segundo ele, a nova cultivar atende uma demanda crescente do mercado por alimentos mais nutritivos, com boa aparência e que também ofereçam vantagens práticas ao produtor.
Apresentação oficial será na Expoagro Afubra 2026
A nova cultivar será apresentada oficialmente no dia 24 de março, durante a Expoagro Afubra 2026, considerada a maior feira da agricultura familiar do país.
O evento acontece em Rio Pardo (RS) até o dia 26 de março, e a apresentação da BRS Prenda está marcada para as 14 horas, no estande institucional da Embrapa, com participação de parceiros.
Após o lançamento, produtores credenciados deverão receber lotes de mudas para cultivo e comercialização, com foco na safra 2026/27.
Batata-doce também mira mercado gourmet
Além do apelo produtivo e nutricional, a nova cultivar também se destaca pelo potencial comercial no mercado de consumo.
A combinação entre casca rosada, polpa amarela intensa e formato arredondado dá à batata-doce um visual mais atrativo, o que pode ampliar o interesse do consumidor e abrir espaço para usos diferenciados na gastronomia.
Segundo os pesquisadores, essas características favorecem a elaboração de pratos visualmente mais chamativos, o que também pode gerar oportunidades em nichos ligados à culinária gourmet e à valorização de produtos com apelo nutricional.
A cultivar apresenta ainda um tempo de cura um pouco maior, entre 10 e 16 dias, acima do normalmente observado em outras batatas-doces. Esse processo pós-colheita é importante para intensificar sabor, aumentar a doçura, melhorar a textura e ampliar a conservação do produto.
Quando assada, a recomendação é de cerca de 80 minutos de cozimento a 200°C.
Boa conservação pós-colheita é outro diferencial
Outro ponto de destaque da BRS Prenda é a sua capacidade de armazenamento. Em boas condições e em temperatura ambiente, as batatas podem manter a qualidade por até três meses após a colheita, desempenho superior ao de muitos materiais já disponíveis no mercado.
Esse fator é estratégico para produtores e comerciantes, já que ajuda a reduzir perdas, amplia a janela de comercialização e melhora a flexibilidade de venda.
Origem da cultivar e adaptação no Sul do Brasil
A BRS Prenda, nome comercial da cultivar BD 179 – BRS Prenda, foi identificada a partir de uma seleção local no Sul do Brasil e passou por uma série de avaliações nos campos experimentais da Embrapa Clima Temperado, em Pelotas (RS).
Ao longo de oito safras consecutivas, os pesquisadores analisaram o comportamento da cultivar em relação à produtividade, adaptação, qualidade nutricional, desempenho pós-colheita e resistência a pragas e doenças.
A cultivar integra o Banco Ativo de Germoplasma da Batata-Doce da Embrapa Clima Temperado e, segundo os pesquisadores, apresentou desempenho suficiente para se consolidar como nova opção de plantio, especialmente para a Região Sul, embora também possa ter potencial em outras áreas produtoras do país.
O trabalho contou ainda com a participação da Embrapa Hortaliças, no Distrito Federal.
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