Milho tenta reagir em Chicago, mas mercado segue cauteloso
Após queda acentuada no pregão anterior, contratos do milho registram leves ganhos em Chicago nesta terça-feira
O mercado do milho opera com leves ganhos nos contratos futuros em Chicago na manhã desta terça-feira, em um movimento de recuperação após as perdas expressivas registradas na sessão anterior. O contrato maio é negociado a US$ 4,55 por bushel.
No pregão de ontem, o cereal acompanhou a pressão de outros mercados e acumulou recuos entre 12 e 13 pontos, refletindo o ambiente de maior aversão ao risco no cenário internacional.
Segundo informações de mercado divulgadas pela Granoeste Corretora, a reação desta terça ainda é limitada e o milho continua sensível às incertezas externas, especialmente aos efeitos da guerra sobre a economia global e o comércio internacional.
Petróleo alto sustenta parte do mercado
O mercado segue influenciado pelas consequências do conflito internacional e pela redução do ritmo do comércio global, fatores que pesam sobre as commodities agrícolas.
Por outro lado, o petróleo acima de US$ 100 por barril acaba oferecendo sustentação parcial às cotações do milho, já que o movimento pode elevar a competitividade do etanol e, consequentemente, influenciar a formação dos preços do cereal.
Esse fator ajuda a limitar perdas mais intensas, mesmo em um ambiente ainda marcado por cautela e volatilidade.
Brasil: B3 avança, mas mercado físico segue travado
No mercado brasileiro, os contratos futuros também mostram reação na B3.
A posição maio trabalha em R$ 73,05 por saca, acima do fechamento anterior de R$ 72,37. Já o contrato junho é negociado a R$ 70,85, frente aos R$ 70,40 do pregão anterior.
Apesar do avanço nos futuros, o mercado doméstico continua lento, com preços oscilando dentro de uma faixa estreita.
Os produtores seguem concentrados principalmente na colheita da soja e no plantio da safrinha, o que limita a intensidade dos negócios no físico neste momento.
Safrinha avança, mas segue atrás do ano passado
Levantamento da Conab mostra que o plantio da safrinha já alcança 85,5% da área estimada.
O ritmo está acima da média histórica, de 82,9%, mas ainda abaixo do registrado no mesmo período de 2025, quando os trabalhos já atingiam 89,6%.
O dado indica que a semeadura segue avançando em bom ritmo, embora ainda exista uma diferença em relação ao ano passado, o que mantém o mercado atento ao calendário e às condições para o desenvolvimento da segunda safra.
Custos logísticos entram no radar do produtor
Além do ritmo mais lento das negociações, um novo fator começa a preocupar o mercado: o aumento expressivo dos custos logísticos.
Esse movimento passa a ganhar peso na formação dos preços e nas estratégias de comercialização, especialmente em um momento em que o produtor ainda divide atenção entre a soja e a implantação da safrinha.
Com isso, mesmo sem grandes oscilações no mercado físico, a logística passa a ser um componente importante no cálculo de margem e no momento de venda.
Preços no Oeste do Paraná e em Paranaguá
No oeste do Paraná, as indicações de compra do milho giram entre R$ 60,00 e R$ 62,00 por saca.
Já em Paranaguá, para a safrinha, os valores estão na faixa de R$ 68,00 a R$ 70,00 por saca, variando conforme o prazo de pagamento e, no interior, também de acordo com a localização do lote.
A leitura de mercado é de que os preços seguem relativamente sustentados, mas ainda sem força para uma movimentação mais ampla no físico, justamente pelo compasso mais lento dos negócios e pela atenção do produtor voltada às operações no campo.
Câmbio recua e também entra na conta do mercado
No câmbio, o dólar opera em queda nesta terça-feira, cotado a R$ 5,21. Na sessão anterior, a moeda norte-americana encerrou a R$ 5,23, com recuo de quase 2%.
A movimentação cambial também segue no radar do mercado, já que influencia diretamente a competitividade das exportações e a formação dos preços internos, especialmente nos portos.
Mercado segue dependente do cenário externo e do ritmo da safrinha
Mesmo com a leve recuperação em Chicago e na B3, o mercado do milho segue operando com cautela.
A guerra, o impacto sobre o comércio internacional, o petróleo em alta e o avanço da safrinha continuam no centro das atenções.
No Brasil, o mercado físico ainda mostra pouca fluidez, com o produtor focado no campo e agora também mais atento ao peso dos custos logísticos sobre a rentabilidade.