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Milho sobe em Chicago e mercado interno segue firme no Brasil

Foto do autor Camilo Motter
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Milho sobe em Chicago e mercado interno segue firme no Brasil
Mercado do milho reage em Chicago, enquanto no Brasil compradores seguem mais ativos e o clima mantém atenção sobre a safrinha.

Mercado acompanha tensões no cenário internacional, enquanto no Brasil compradores seguem mais ativos, o plantio da safrinha avança e o clima preocupa em parte das regiões produtoras

O mercado do milho opera com ganhos modestos na Bolsa de Chicago (CBOT) na manhã desta terça-feira, em um movimento de ajuste após a sessão anterior ter encerrado com perdas entre 4 e 6 pontos. De acordo com a Granoeste Corretora, o cenário externo continua marcado por cautela, com investidores acompanhando os desdobramentos das tensões no Oriente Médio, que seguem influenciando o comportamento dos mercados e ampliando a volatilidade entre as commodities.

No mercado financeiro, o ambiente internacional segue instável. Embora haja sinalizações de avanço em negociações diplomáticas, o conflito ainda mantém um quadro de incerteza, o que pode alternar momentos de oportunidade com períodos de maior travamento nos negócios.

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Na B3 (antiga BMF), os contratos também mostram reação. A posição maio opera em R$ 72,40, acima do fechamento anterior de R$ 72,01, enquanto o contrato junho trabalha em R$ 71,40, frente aos R$ 70,89 da sessão passada.

Brasil tem plantio avançado e mercado interno mais firme

No Brasil, o mercado doméstico do milho segue com viés mais firme, sustentado por maior interesse comprador e pela atenção às condições climáticas em importantes regiões produtoras.

Segundo levantamento da AgRural, o plantio do milho safrinha no país já alcança 97% da área, avanço importante em relação aos 91% registrados na semana anterior. Ainda assim, o ritmo permanece abaixo do mesmo período do ano passado, quando os trabalhos já estavam em 100%.

Mesmo com o plantio praticamente concluído, o clima continua no radar do mercado. Em alguns estados, as condições seguem bastante irregulares, com destaque para o Paraná, onde o comportamento das chuvas ainda gera preocupação sobre o desenvolvimento das lavouras.

Esse fator tem ajudado a manter o mercado mais atento e contribui para sustentar uma postura mais firme nos preços internos, especialmente em regiões onde há maior sensibilidade ao risco climático.

Exportações ficam abaixo do ano passado em março

No comércio exterior, os embarques brasileiros de milho em março seguem abaixo do mesmo período do ano passado.

Segundo dados da Secex, o Brasil exportou 780 mil toneladas de milho em 15 dias úteis neste mês, contra 870 mil toneladas no mesmo intervalo de março de 2025.

Embora o volume ainda esteja relativamente próximo do registrado no ano anterior, o desempenho mais fraco reforça que o foco do mercado, neste momento, está mais concentrado no desenvolvimento da safrinha e na dinâmica interna de oferta e demanda do que no ritmo das exportações.

Compradores mais ativos sustentam preços no mercado doméstico

No mercado interno, a percepção é de maior firmeza nas negociações, com compradores demonstrando mais interesse na aquisição de lotes.

Esse comportamento ajuda a sustentar as cotações em um momento em que o mercado acompanha de perto o andamento climático e tenta antecipar possíveis impactos sobre a segunda safra.

No oeste do Paraná, as indicações de compra giram entre R$ 62,00 e R$ 64,00 por saca. Já em Paranaguá, para o milho safrinha, as referências ficam entre R$ 68,00 e R$ 70,00 por saca, variando conforme o prazo de pagamento, a localização dos lotes e as condições de embarque.

Esse cenário mostra que, apesar do plantio avançado, o mercado ainda trabalha com cautela e mantém prêmio de risco diante das incertezas climáticas.

Câmbio também entra na conta da formação de preços

Outro fator que influencia a formação dos preços do milho é o comportamento do câmbio. Na manhã desta terça-feira, o dólar opera em alta, na faixa de R$ 5,27, após ter encerrado a sessão anterior em R$ 5,241, com queda de 1,3%.

A valorização da moeda norte-americana tende a ser acompanhada de perto pelo mercado, já que pode dar sustentação aos preços domésticos, especialmente em regiões mais ligadas à exportação e aos fluxos de comercialização com destino aos portos.

Mercado do milho segue entre volatilidade externa e clima no Brasil

O mercado do milho continua dividido entre a volatilidade do cenário internacional e os fundamentos domésticos. De um lado, as tensões geopolíticas mantêm os investidores cautelosos e podem provocar oscilações rápidas em Chicago. De outro, no Brasil, o avanço do plantio da safrinha, a preocupação com o clima em estados como o Paraná e a postura mais ativa dos compradores seguem sustentando o mercado interno.

Com isso, os próximos movimentos devem continuar dependendo da combinação entre CBOT, câmbio, clima e ritmo da segunda safra, fatores que seguem no centro das decisões de comercialização.

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