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Milho opera estável em Chicago e mercado interno segue lento no Brasil

Foto do autor Camilo Motter
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Milho opera estável em Chicago e mercado interno segue lento no Brasil
Plantio da safrinha avança no Paraná, mas clima seco e mercado travado mantêm atenção sobre o milho.

Com Chicago sem direção definida, mercado doméstico opera em faixa estreita, enquanto plantio da safrinha avança no Paraná sob preocupação com o clima seco

O mercado do milho segue sem força nesta quarta-feira, com os contratos futuros em Chicago operando praticamente estáveis e o mercado doméstico ainda lento no Brasil. A combinação entre preços travados, ritmo concentrado na soja e atenção ao clima no Paraná mantém o setor cauteloso, especialmente em relação ao desenvolvimento da safrinha.

Segundo informações da Granoeste Corretora, o contrato maio do milho em Chicago operava no zero a zero nesta manhã, na faixa de US$ 4,53 por bushel. Na sessão anterior, o mercado encerrou estável no vencimento mais curto e com leve queda nas posições futuras.

Na B3, o contrato maio era indicado em R$ 71,50, abaixo do fechamento anterior de R$ 72,13, enquanto o vencimento junho trabalhava em R$ 69,90, ante R$ 70,27 na sessão passada.

Plantio da safrinha avança no Paraná, mas falta chuva em várias regiões

No mercado interno, o destaque segue para o avanço do plantio da segunda safra no Paraná, embora o clima já comece a acender um sinal de alerta. Segundo o Deral, o plantio do milho safrinha no estado alcança 83% da área.

As lavouras apresentam, até o momento, quadro majoritariamente positivo, com 92% em boas condições e 8% em condição regular.

Apesar disso, o tempo seco em várias regiões aumenta a preocupação no campo, e a necessidade de chuva imediata passa a ser um fator importante para o desenvolvimento da cultura.

Atualmente, as áreas de safrinha estão distribuídas entre 12% em germinação, 87% em crescimento vegetativo e 1% em floração.

Produção da safrinha deve ficar próxima à do ano passado

A estimativa para a safra de milho safrinha de 2026 no Paraná é de 17,5 milhões de toneladas, volume muito próximo das 17,6 milhões de toneladas colhidas em 2025.

A área cultivada também permanece praticamente estável, com 2,85 milhões de hectares, frente aos 2,81 milhões de hectares da temporada anterior.

Os números indicam manutenção de um patamar elevado de produção, mas o comportamento do clima nas próximas semanas será decisivo para consolidar esse potencial.

Colheita do milho verão avança e produção cresce 18%

Além da safrinha, o milho verão também segue avançando no estado. De acordo com o Deral, a colheita da primeira safra no Paraná chegou a 80% da área.

A produção é estimada em 3,6 milhões de toneladas, resultado 18% superior às 3,0 milhões de toneladas colhidas no verão de 2025. O avanço está ligado também ao aumento de área, que passou para 341 mil hectares, acima dos 281 mil hectares registrados no ciclo anterior.

Mercado doméstico continua lento e logística preocupa

Mesmo com o avanço do plantio e da colheita, o mercado doméstico segue com pouca movimentação. Os preços continuam rodando dentro de uma faixa estreita, refletindo um ambiente de negócios mais lento.

Segundo a leitura do setor, os produtores ainda estão bastante concentrados na colheita da soja e no plantio da safrinha, o que reduz a fluidez das negociações com milho neste momento.

Além disso, a possibilidade de uma greve dos transportadores também entrou no radar do mercado, adicionando preocupação à logística e ao escoamento da produção.

Preços no Paraná seguem em faixa ajustada

No mercado físico, as indicações de compra no oeste do Paraná giram entre R$ 60,00 e R$ 64,00 por saca.

Em Paranaguá, para o milho safrinha, os valores ficam na faixa de R$ 68,00 a R$ 70,00 por saca, variando conforme prazo de pagamento e localização do lote no interior.

O comportamento dos preços reforça o cenário de mercado travado, com pouca força para movimentos mais intensos no curto prazo.

Câmbio também segue no radar

Outro ponto acompanhado pelo setor é o câmbio. Nesta quarta-feira, o dólar opera em alta, na faixa de R$ 5,21. Na sessão anterior, a moeda norte-americana havia encerrado a R$ 5,199.

A movimentação cambial segue relevante para a formação de preços e para a competitividade do cereal, especialmente em um momento em que o mercado internacional ainda mostra pouca direção.

Mercado do milho espera definição de clima e logística

O milho segue em um momento de compasso de espera. Chicago opera sem força, o mercado brasileiro continua lento e os preços seguem limitados por uma faixa estreita de negociação.

Ao mesmo tempo, o avanço da safrinha no Paraná mantém o foco do setor no clima, já que a falta de chuvas em várias regiões pode ganhar peso nas próximas semanas. Somado a isso, as preocupações com transporte e custos logísticos seguem no radar e podem influenciar o ritmo dos negócios no curto prazo.