Milho opera em baixa em Chicago, mas mercado segue firme
Contrato maio recua para US$ 4,66/bushel nesta quinta-feira, após alta na sessão anterior, em um mercado ainda atento à demanda externa, aos custos nos EUA e ao clima no Paraná
O milho opera com leve queda na Bolsa de Chicago (CBOT) nesta quinta-feira, com o contrato maio cotado a US$ 4,66 por bushel, após encerrar o pregão anterior com alta de 4 a 5 pontos, sustentado pela demanda externa, especialmente pelo cereal norte-americano.
Mesmo com o ajuste negativo nesta manhã, o mercado segue apoiado pelo movimento da sessão anterior, quando os contratos avançaram acompanhando outros mercados e reagindo ao maior interesse comprador no cenário internacional.
O ritmo da demanda externa pelo milho dos Estados Unidos continua sendo um dos principais vetores para Chicago neste momento. Em um ambiente global ainda marcado por incertezas, qualquer sinal de melhora nas exportações norte-americanas tende a dar sustentação aos preços futuros.
Além disso, o mercado segue atento aos desdobramentos do conflito no Oriente Médio. A escalada das tensões mantém pressão sobre o petróleo, moedas e ativos financeiros, o que acaba influenciando também as commodities agrícolas.
Na prática, isso significa que o milho continua exposto não apenas aos fundamentos de oferta e demanda, mas também ao humor dos investidores e aos reflexos geopolíticos sobre os mercados globais.
Outro ponto importante no radar é a perspectiva para a próxima safra nos Estados Unidos. Segundo informações divulgadas pela Dow Jones, produtores norte-americanos avaliam reduzir a área de milho e ampliar o plantio de soja.
A principal razão, além de fatores comerciais, é a forte alta dos fertilizantes, especialmente os nitrogenados, que pesam mais diretamente sobre o custo de produção do milho. Se esse movimento se confirmar, o mercado pode passar a precificar uma oferta menor nos EUA adiante, fator que tende a oferecer suporte às cotações.
Oferta brasileira segue ampla, mas mercado interno ganha firmeza
No Brasil, o quadro de oferta ainda é robusto. De acordo com levantamento da Safras Mercado, a oferta total de milho neste ano, somando produção, estoque de passagem e importações, deve alcançar 155,4 milhões de toneladas.
Dentro desse volume, a consultoria estima:
Produção: 141,7 milhões de toneladasEstoque de passagem: 12,0 milhões de toneladasImportações: 1,70 milhão de toneladas
Apesar da oferta elevada, o mercado doméstico mostra firmeza no curto prazo. Compradores vêm demonstrando maior interesse por lotes disponíveis, o que ajuda a sustentar os preços em várias regiões.
Na B3, o contrato maio trabalha em R$ 72,00, praticamente estável em relação ao fechamento anterior de R$ 72,05. Já a posição junho é negociada a R$ 71,10, contra R$ 71,25 na sessão anterior.
Segundo a Granoeste Corretora, o mercado interno segue mais firme, em um ambiente de maior procura e atenção ao clima.
Clima no Paraná entra no radar da safrinha
O clima irregular em parte das áreas produtoras segue como um dos fatores mais observados pelo mercado brasileiro, principalmente no Paraná, segundo maior estado produtor de milho do país.
Para o produtor paranaense, essa condição tem peso direto porque afeta o potencial da segunda safra justamente em uma fase decisiva do desenvolvimento das lavouras. Qualquer persistência de irregularidade climática pode mexer com as expectativas de produtividade e reforçar o suporte aos preços regionais.
No Oeste do Paraná, as indicações de compra giram entre R$ 62,00 e R$ 64,00 por saca. Em Paranaguá, para a safrinha, as referências ficam entre R$ 68,00 e R$ 70,00, a depender do prazo de pagamento e da localização do lote no interior.
Além disso, o câmbio também segue no radar. O dólar opera em alta nesta quinta-feira, em torno de R$ 5,25, após ter encerrado a sessão anterior em R$ 5,219. A valorização da moeda americana tende a influenciar a formação dos preços internos, especialmente em um mercado que acompanha de perto exportação, paridade e competitividade do cereal brasileiro.
No curto prazo, o milho segue em um ambiente de sustentação, mas com forte sensibilidade ao cenário externo, ao clima e ao comportamento do câmbio. Para o produtor, o momento pede atenção às oscilações da bolsa e ao avanço da safrinha, já que o mercado pode reagir rapidamente a qualquer mudança nesses fatores.