Milho abre semana pressionado, mas mercado interno reage
Chicago registra leves perdas nesta segunda-feira, enquanto o mercado volta as atenções para o conflito no Oriente Médio e para os relatórios do USDA sobre estoques e intenção de plantio nos Estados Unidos
O mercado do milho começou a semana com leves perdas na Bolsa de Chicago, refletindo a cautela dos investidores diante do cenário internacional e da expectativa por dados importantes nos Estados Unidos. Na manhã desta segunda-feira, o contrato maio operava a US$ 4,61 por bushel. Na última sessão, as perdas ficaram entre 4 e 5 cents, e o saldo semanal terminou negativo em cerca de 1%.
Na B3, por outro lado, o mercado mostrou reação positiva. A posição maio trabalha em R$ 73,25, acima do fechamento anterior de R$ 72,17, enquanto o contrato junho é negociado a R$ 72,30, frente aos R$ 71,32 do encerramento anterior. O movimento reforça um viés de maior sustentação no mercado doméstico, mesmo com o cenário externo ainda pressionado.
O mercado internacional segue atento aos desdobramentos do conflito no Oriente Médio, que continua impactando a percepção de risco e os custos logísticos globais. Ao mesmo tempo, os agentes se posicionam para os relatórios trimestral de estoques e de primeira intenção de plantio dos Estados Unidos, que serão divulgados nesta terça-feira pelo USDA. Segundo avaliação da Granoeste Corretora, esses números devem ter peso relevante na formação dos preços ao longo da semana.
Em relação aos estoques norte-americanos em 1º de março, a expectativa do mercado é de 230,8 milhões de toneladas, acima das 206,9 milhões de toneladas registradas no mesmo período de 2025, o que representa aumento de 11,6%. Já para o plantio da próxima temporada, a projeção é de corte na área semeada para 38,2 milhões de hectares, queda de 4,5% frente aos 40,0 milhões de hectares cultivados na safra passada. Nas regiões mais ao sul dos Estados Unidos, inclusive, o plantio já foi iniciado.
Brasil: colheita avança e preços mostram firmeza
No Brasil, a colheita do milho verão no Centro-Sul alcançou 59,4% da área, segundo levantamento da agência Safras. O índice está acima dos 56,4% registrados no mesmo período do ano passado e também levemente superior à média histórica de 58,9%, indicando avanço consistente dos trabalhos no campo.
Entre os principais estados, o Rio Grande do Sul lidera com 86,9% da colheita concluída. Em Santa Catarina, o índice chega a 80,2%; no Paraná, a colheita atinge 76,5%; e em Minas Gerais, 23,8%. O ritmo segue no radar do mercado, especialmente em um momento em que as condições climáticas continuam irregulares em alguns pontos, com destaque para o Paraná, segundo maior estado produtor do país.
No mercado doméstico, os preços estão mais firmes, com compradores demonstrando maior interesse por lotes disponíveis. Esse movimento de maior procura tem dado sustentação às cotações, em um ambiente em que o clima ainda gera preocupação em parte das áreas produtoras.
No oeste do Paraná, as indicações de compra variam entre R$ 62,00 e R$ 64,00 por saca. Já em Paranaguá, as referências para a safrinha ficam entre R$ 68,00 e R$ 70,00 por saca, a depender do prazo de pagamento e, no interior, também da localização do lote.
Câmbio também entra no radar
Outro ponto acompanhado pelo mercado é o câmbio. Na manhã desta segunda-feira, o dólar opera em leve queda, a R$ 5,23. Na sessão anterior, a moeda norte-americana havia fechado em R$ 5,238. A movimentação cambial segue relevante para a competitividade das exportações e para a formação dos preços internos do milho.