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Plano de irrigação do RS prevê até R$ 60 bilhões para ampliar área irrigada

Foto do autor Francieli Galo
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Plano de irrigação do RS prevê até R$ 60 bilhões para ampliar área irrigada
O governador Eduardo Leite apresentou na Expodireto o Plano Irrigação Resiliente

Proposta apresentada na Expodireto prevê expansão da área irrigada, obras de infraestrutura hídrica e energética e incentivo à adoção de tecnologia no campo

O governo do Rio Grande do Sul apresentou na Expodireto Cotrijal um plano para ampliar em até 2,68 milhões de hectares a área irrigada no Estado, com investimentos públicos que podem chegar a R$ 60 bilhões. A proposta, batizada de Plano Irrigação Resiliente no RS, foi detalhada pelo governador Eduardo Leite no estande do Sistema Farsul e coloca a irrigação como uma das principais estratégias para enfrentar as estiagens recorrentes e reduzir a vulnerabilidade da produção gaúcha.

A apresentação ocorreu no dia 10 de março, um dia antes da agenda do governador em Brasília, onde o plano seria levado ao governo federal em reuniões com ministros para discutir alternativas de financiamento e apoio à expansão da irrigação no Estado.

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Ao lado do secretário-chefe da Casa Civil, Artur Lemos, Leite apresentou as principais frentes da proposta, que incluem ampliação da área irrigada, construção de infraestrutura hídrica e energética e estímulo à adoção de tecnologias de irrigação nas propriedades rurais.

A leitura do governo é que os eventos climáticos extremos deixaram de ser pontuais e passaram a representar um problema estrutural para o desenvolvimento do Rio Grande do Sul. Na prática, isso afeta diretamente o campo, compromete safras, pressiona a renda do produtor e gera reflexos sobre a arrecadação pública e a economia do Estado.

Irrigação entra no centro da estratégia do agro gaúcho

Ao antecipar a proposta durante a Expodireto, o governo buscou apresentar o plano ao setor produtivo antes de iniciar as negociações em Brasília. A avaliação é que a irrigação precisa deixar de ser tratada apenas como uma alternativa pontual e passar a ocupar papel central na política agrícola do Estado.

A iniciativa mira justamente um dos principais gargalos do agro gaúcho: a dependência das chuvas em um cenário de estiagens cada vez mais frequentes. Com mais área irrigada e melhor estrutura de água e energia, a expectativa é reduzir perdas, melhorar a estabilidade da produção e dar mais previsibilidade ao produtor rural.

Esse ponto é especialmente relevante para culturas sensíveis à irregularidade climática, como soja, milho e pastagens, além de atividades ligadas à pecuária, que também sofrem com a redução da disponibilidade hídrica em períodos de seca.

Plano prevê infraestrutura e incentivo à tecnologia

No cenário mais amplo apresentado pelo governo, o plano projeta a abertura de até 2,68 milhões de novos hectares irrigados no Rio Grande do Sul. Para isso, o Estado estima a necessidade de investimentos públicos de até R$ 60 bilhões, concentrados principalmente em obras de infraestrutura hídrica, reforço da rede energética e estímulos para adoção de sistemas de irrigação no campo.

Mais do que aumentar a área irrigada, a proposta busca criar uma base estrutural para sustentar a produção em anos de clima adverso. O objetivo é reduzir a volatilidade provocada pelas quebras de safra, ampliar a produtividade agrícola e fortalecer cadeias produtivas que dependem de maior regularidade na oferta.

Para o produtor, o impacto pode ser direto: mais estabilidade de produção significa menor exposição ao risco climático e maior capacidade de planejamento, tanto na compra de insumos quanto na comercialização da safra.

Setor produtivo vê plano como apoio

A proposta foi bem recebida pelo setor produtivo durante a apresentação na Expodireto. O presidente do Sistema Farsul, Domingos Velho Lopes, afirmou que o plano está alinhado às necessidades do campo e classificou a iniciativa como positiva para os produtores rurais.

A sinalização da Farsul reforça que há convergência entre governo e entidades do agro em torno da irrigação como ferramenta estratégica para reduzir os efeitos das estiagens. Ao mesmo tempo, o setor reconhece que o avanço dessa agenda também depende da participação dos próprios produtores, com planejamento técnico, manejo adequado e preparação das áreas.

No campo, a discussão sobre irrigação vai além da instalação de equipamentos. Ela passa por estrutura de energia, disponibilidade de água, licenciamento, crédito, viabilidade econômica e planejamento agronômico. Por isso, a proposta apresentada na Expodireto é vista como uma tentativa de tratar o tema de forma mais ampla e estrutural.

Tema interessa também ao Paraná

Embora o plano seja voltado ao Rio Grande do Sul, a discussão tem forte conexão com o restante da Região Sul, especialmente com o Paraná. O Estado também convive com oscilações climáticas e episódios de estiagem que afetam produtividade e renda no campo, principalmente em culturas como soja, milho e feijão.

Por isso, a movimentação gaúcha pode servir de referência para debates sobre políticas públicas de irrigação, segurança hídrica e infraestrutura rural em outros estados do Sul. Em um cenário de clima mais instável, a irrigação tende a ganhar cada vez mais espaço como instrumento de proteção da produção e de sustentabilidade econômica do agro.

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