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Feijão recua no fim de março com demanda mais fraca

Foto do autor Jair Reinaldo
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Feijão recua no fim de março com demanda mais fraca
Preços do feijão recuaram no fim de março após sequência de altas, com demanda mais fraca e maior interesse de venda no mercado.

Após atingir recordes até meados de março, mercado do feijão perdeu força nas últimas semanas com dificuldade de repasse no atacado e no varejo

Depois de avançarem com força até meados de março e atingirem níveis recordes, os preços do feijão passaram a recuar nas últimas semanas do mês, refletindo uma mudança no ritmo do mercado. Segundo pesquisadores do Cepea, a principal pressão veio da retração da demanda, em um momento em que compradores relatam dificuldades para repassar ao atacado e ao varejo as valorizações acumuladas recentemente.

Com o enfraquecimento da ponta compradora, o mercado perdeu sustentação e abriu espaço para ajustes nas cotações. Ao mesmo tempo, vendedores passaram a demonstrar maior interesse em liquidar estoques, aproveitando os preços ainda considerados atrativos após a sequência de altas observada ao longo de março.

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Esse movimento aumentou a oferta no mercado e reforçou a pressão baixista nas últimas semanas do mês, especialmente depois do forte avanço registrado na primeira metade do período.

Demanda mais fraca trava repasses e pressiona cotações

De acordo com o Cepea, a retração compradora ocorreu principalmente porque atacado e varejo enfrentaram dificuldades para absorver os aumentos recentes nos preços do feijão. Com menor capacidade de repasse ao consumidor final, a demanda perdeu ritmo e reduziu o suporte às cotações.

Essa desaceleração foi suficiente para interromper a trajetória de alta que vinha marcando o mercado até meados de março. Com compradores mais cautelosos e vendedores dispostos a aproveitar os patamares ainda valorizados, o ambiente ficou mais favorável à correção dos preços no fim do mês.

Mesmo assim, o recuo não anulou completamente os ganhos acumulados no período, principalmente no caso do feijão carioca, que ainda encerrou março em nível superior ao de fevereiro.

Feijão carioca fecha março em alta, enquanto preto fica estável

Dados do Cepea/CNA mostram que, apesar da queda nas últimas semanas, a média de março permaneceu acima da registrada em fevereiro para o feijão carioca. No caso do produto com notas 8 e 8,5, o preço médio subiu 6,7% na comparação mensal e acumulou expressiva alta de 41,6% em relação a março de 2025, em termos nominais.

Para o feijão carioca de maior qualidade, com notas 9 ou superior, o desempenho foi ainda mais forte. A média mensal de março ficou 8,1% acima da de fevereiro e 33,6% superior à registrada no mesmo mês do ano passado.

Já no segmento do feijão preto, o comportamento foi mais estável. O preço médio de março ficou 0,2% abaixo do observado em fevereiro e praticamente em linha com o de março de 2025, mostrando um mercado menos aquecido em comparação ao carioca.

Com isso, o mercado do feijão encerra março em ajuste, após um período de forte valorização seguido por recuo nas cotações. Ainda assim, os preços do feijão carioca permanecem em níveis historicamente elevados, enquanto o comportamento da demanda seguirá sendo decisivo para o rumo do mercado nas próximas semanas.

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