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Feijão carioca bate novo recorde de preço em março

Foto do autor Jair Reinaldo
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Feijão carioca bate novo recorde de preço em março
Preço médio do feijão carioca renova recorde em março, com oferta restrita e preocupação com a segunda safra, especialmente no Paraná. Foto: Foto: Sebastião Araújo

Restrição de oferta, dificuldades na colheita e expectativa de menor produção na segunda safra, sobretudo no Paraná, sustentam nova alta do feijão em 2026

Os preços médios do feijão carioca renovaram recordes em março, mantendo o mercado aquecido em 2026 e reforçando o cenário de oferta apertada no país. Segundo dados do Cepea/CNA, o valor médio do grão neste mês superou o registrado em fevereiro e atingiu o maior patamar da série histórica, iniciada em setembro de 2024.

Além do carioca, o feijão preto também segue em níveis elevados. De acordo com pesquisadores do Cepea, os dois principais tipos consumidos no mercado brasileiro acumulam valorizações expressivas no primeiro trimestre, sustentados por restrição de oferta, dificuldades na colheita, redução de área na primeira safra e expectativa de menor produção na segunda safra, com atenção especial para o Paraná.

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Feijão carioca renova recordes em março

Os números do Cepea mostram que o feijão carioca de notas 9 ou superiores registrou, até o dia 26 de março, preço médio 8,3% acima do observado em fevereiro e 34% superior ao de março de 2025.

No acumulado dos três primeiros meses de 2026, a valorização já chega a 48,3%, evidenciando a forte escalada das cotações neste início de ano.

No caso do feijão carioca de notas 8 e 8,5, o movimento também foi expressivo. A média parcial de março está 7,1% acima da de fevereiro e 42,2% superior à registrada no mesmo mês do ano passado. No primeiro trimestre, a alta acumulada é de 43,9%.

O desempenho reforça a forte pressão altista sobre o mercado do feijão carioca, que vem sendo sustentado por uma combinação de menor disponibilidade e preocupação crescente com a reposição da oferta.

Oferta restrita e colheita difícil sustentam mercado

Segundo o Cepea, a valorização dos preços está diretamente ligada à restrição de oferta no mercado interno. Entre os principais fatores estão as dificuldades na colheita e a redução de área plantada na primeira safra, o que já limitou a disponibilidade do produto neste início de ano.

Além disso, o mercado também opera sob expectativa de menor produção na segunda safra, o que aumenta a cautela dos compradores e mantém os vendedores em posição mais firme nas negociações.

Esse conjunto de fatores ajuda a explicar por que o feijão segue em trajetória de alta mesmo em um período em que o mercado normalmente busca algum alívio com a entrada de volumes sazonais.

Paraná entra no radar da segunda safra

O Paraná aparece como um dos principais pontos de atenção neste momento. Como um dos estados estratégicos para a produção nacional de feijão, qualquer sinal de redução de produtividade ou dificuldades na segunda safra tende a ter impacto direto sobre a formação dos preços.

A expectativa de menor produção no estado é um dos fatores que mais pesa sobre o humor do mercado, já que o Paraná tem papel importante no abastecimento interno e costuma influenciar o comportamento das cotações em nível nacional.

Para o produtor paranaense, isso significa um cenário de preços atrativos, mas também de maior pressão produtiva, especialmente diante das incertezas climáticas e operacionais que podem comprometer o potencial da segunda safra.

Feijão preto também segue valorizado no trimestre

No mercado do feijão preto, o comportamento em março foi mais estável na comparação mensal, mas ainda dentro de um patamar elevado.

Segundo o Cepea, a média de março registra leve avanço de 0,11% frente a fevereiro e alta de 0,4% em relação ao mesmo período do ano passado.

Apesar da variação mais discreta no comparativo imediato, o acumulado do primeiro trimestre mostra recuperação importante. Nos três primeiros meses de 2026, o feijão preto já acumula valorização de 32,2%, o que confirma um movimento mais amplo de recomposição dos preços no setor.

Mercado segue firme e produtor acompanha janela de comercialização

Para o produtor, o momento é de atenção redobrada às oportunidades de comercialização. A escalada dos preços abre espaço para negócios em patamares historicamente elevados, especialmente no caso do feijão carioca, mas o mercado continua bastante sensível à oferta disponível e às perspectivas da segunda safra.

No caso do Paraná, o comportamento da produção nas próximas semanas será decisivo para definir se o mercado seguirá ainda mais pressionado ou se haverá algum alívio na oferta.

Com estoques ajustados, dificuldades de colheita e risco de menor produção adiante, o feijão mantém um cenário firme em 2026, com preços sustentados e forte impacto sobre o planejamento comercial e produtivo do setor.

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