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Demanda fraca derruba preços do feijão no mercado interno

Foto do autor Francieli Galo
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Demanda fraca derruba preços do feijão no mercado interno
Com indústrias abastecidas e avanço da colheita, mercado de feijão segue pressionado e registra novas quedas de preços em diversas praças.

Com indústrias abastecidas e ritmo lento de reposição, preços recuam na maior parte das praças acompanhadas pelo Cepea, em meio ao avanço da colheita e à pressão por liquidez no campo

O mercado de feijão continua enfrentando um cenário de demanda enfraquecida, o que tem pressionado as cotações e provocado novas quedas de preços em diversas regiões do país. Segundo levantamento do Cepea, o ritmo limitado de reposição por parte das indústrias, somado ao avanço da colheita e à necessidade de venda por parte dos produtores, manteve o mercado fragilizado ao longo da última semana.

De acordo com agentes consultados pelo centro de pesquisas, muitas indústrias já se mostram abastecidas, o que reduz o interesse imediato por novas compras. Com isso, a reposição ocorre de forma mais lenta, enfraquecendo a sustentação dos preços e ampliando o movimento de baixa na maior parte das praças acompanhadas.

Quedas se espalham pelas praças, apesar de março ainda superar fevereiro

Mesmo com as novas desvalorizações observadas na última semana, o Cepea destaca que as médias parciais de preços de março, até o dia 19, ainda permanecem acima das registradas em fevereiro.

Esse comportamento indica que, embora o mercado tenha perdido força recentemente, o patamar médio do mês ainda carrega parte da valorização observada anteriormente. Ainda assim, o ambiente atual é de enfraquecimento, com menor apetite comprador e pressão crescente sobre os vendedores.

Na prática, o mercado mostra uma combinação de preços ainda relativamente sustentados na média mensal, mas com viés negativo mais evidente nas negociações recentes.

Feijão carioca de melhor qualidade recua com colheita no Sul

No caso do feijão carioca de notas 9 ou superiores, os preços também recuaram, segundo pesquisas do Cepea.

Um dos fatores que mais pesaram sobre esse movimento foi o avanço da colheita na região Sul do país, que aumenta a disponibilidade do produto e amplia a pressão sobre as cotações.

Além disso, em outras praças, a necessidade de “fazer caixa” por parte dos produtores também reforçou a desvalorização. Esse comportamento indica que muitos vendedores têm optado por acelerar a comercialização para garantir liquidez, mesmo em um momento de menor sustentação dos preços.

Escurecimento dos grãos acelera vendas no feijão carioca intermediário

Para o feijão carioca de notas 8 e 8,5, o mercado também segue pressionado, mas com um fator adicional influenciando a estratégia de comercialização.

Segundo o Cepea, o escurecimento dos grãos tem sido decisivo para a tomada de decisão dos produtores. Diante do risco de perda de valor associada à qualidade visual do produto, muitos optam por priorizar a liquidez e vender antes de uma possível desvalorização mais acentuada.

Esse movimento aumenta a oferta no mercado em um momento de demanda enfraquecida, o que contribui para intensificar a pressão baixista sobre os preços.

Feijão preto registra quedas generalizadas

No mercado de feijão preto, o cenário também é de enfraquecimento. Pesquisadores do Cepea apontam que o desequilíbrio entre oferta e demanda resultou em quedas generalizadas nas cotações ao longo da semana nas praças acompanhadas.

Com maior disponibilidade do produto e compradores mais retraídos, o mercado perde sustentação e amplia o movimento de baixa, repetindo um padrão semelhante ao observado em outros segmentos do feijão.

Avanço da colheita amplia pressão sobre o mercado

No campo, os dados mais recentes da Conab mostram que a colheita da primeira safra de feijão alcançava 65% da área nacional.

O percentual está acima dos 61,8% observados no mesmo período do ano passado, o que indica um ritmo mais acelerado em relação a 2025. Por outro lado, o índice ainda permanece abaixo da média dos últimos cinco anos, que é de 67,7%.

Mesmo assim, o avanço da colheita contribui para ampliar a oferta disponível e reforça a pressão sobre o mercado em um momento em que a demanda já se mostra mais fraca.

Mercado segue cauteloso e com foco na liquidez

O cenário atual do feijão mostra um mercado mais cauteloso, com compradores abastecidos e vendedores atentos à necessidade de gerar caixa e preservar valor, principalmente em lotes mais sensíveis à perda de qualidade.

Com a demanda enfraquecida, o avanço da colheita e o aumento da oferta em algumas regiões, as cotações seguem pressionadas, tanto no feijão carioca quanto no feijão preto.

Apesar de março ainda manter médias superiores às de fevereiro até o momento, o comportamento recente das negociações aponta para um ambiente mais frágil, em que a liquidez e a qualidade do produto têm pesado cada vez mais nas decisões de comercialização.

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