Exportações do agro somam US$ 15,4 bi e recuam 0,7%
Soja, carnes e algodão avançam em volume, mas preços e custos logísticos pressionam o setor
As exportações do agronegócio brasileiro somaram US$ 15,4 bilhões em março de 2026, registrando leve queda de 0,7% em relação ao mesmo mês do ano passado. Apesar do recuo na receita, o volume embarcado de diversos produtos estratégicos avançou, evidenciando um cenário de forte demanda externa, mas com pressão sobre preços e margens.
Levantamento da Secex, compilado pelo Itaú BBA, mostra que o desempenho foi puxado principalmente pelo complexo soja, proteínas animais e algodão.
Soja lidera embarques, mas com sinais mistos
No complexo soja, os embarques de grão atingiram 14,5 milhões de toneladas, gerando US$ 5,9 bilhões. O volume foi praticamente estável frente ao ano passado, mas com valorização de 5,3% no preço médio, indicando sustentação internacional.
O farelo também avançou, com alta de 4% nos embarques, enquanto o óleo de soja apresentou queda de 7,8% no volume. Mesmo assim, o derivado registrou valorização expressiva de 13% nos preços, acumulando o terceiro mês seguido de alta.
Carnes ganham força no mercado externo
As proteínas animais mantiveram desempenho positivo. As exportações de carne bovina cresceram 8,7% em volume, com destaque para a China, que respondeu por 44% dos embarques. O preço médio subiu 19% na comparação anual, reforçando o bom momento da commodity.
A carne de frango também avançou, com alta de 6% nos embarques, enquanto a suína registrou crescimento ainda mais expressivo, de 28%.
Custos logísticos preocupam exportadores
Apesar da demanda aquecida, o setor enfrenta aumento significativo nos custos logísticos, especialmente para mercados do Oriente Médio. O frete marítimo de carne mais que dobrou em algumas rotas, reflexo de tensões geopolíticas e restrições em corredores estratégicos.
Esse cenário eleva os custos da exportação e pode reduzir a competitividade brasileira em determinados mercados, mesmo diante de preços internacionais favoráveis.
Açúcar, etanol e fibras mostram pressão
No complexo sucroenergético, o açúcar bruto teve leve alta no volume exportado, mas forte queda de 24% nos preços. O açúcar refinado também recuou tanto em volume quanto em valor.
O etanol apresentou forte retração nos embarques, com queda de 68% frente ao ano anterior, apesar de leve recuperação nos preços.
Já o algodão se destacou com crescimento de 45% no volume exportado, embora os preços tenham recuado pelo sexto mês consecutivo, indicando pressão nas margens.
Impacto para o produtor
Na prática, o cenário revela um agro exportador resiliente em volume, mas pressionado por fatores que afetam diretamente a rentabilidade. A combinação de preços mais baixos em algumas cadeias, valorização pontual em outras e aumento dos custos logísticos exige maior eficiência e estratégia de comercialização.
Para o produtor do Paraná, especialmente nas cadeias de soja, milho e proteínas, o momento reforça a importância de acompanhar o mercado internacional, o câmbio e os custos de escoamento, que podem impactar diretamente os resultados da safra.