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APEPA alerta sobre riscos do seguro paramétrico no agro

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APEPA alerta sobre riscos do seguro paramétrico no agro
Entenda como o Seguro Rural é impactado pelo contingenciamento e o debate sobre o seguro paramétrico no Brasil Foto: José Fernando Ogura

A APEPA alerta que a instabilidade no orçamento do seguro rural pode limitar a proteção dos produtores e ampliar riscos no campo, destacando que apenas cerca de 5% das lavouras no Brasil estão seguradas. A entidade também pede cautela com o seguro paramétrico, que ainda precisa evoluir, e defende o fortalecimento do modelo tradicional como caminho mais seguro para o agro.

A política de gestão de risco no agronegócio voltou ao centro do debate após o veto presidencial que manteve o orçamento do Programa de Subvenção ao PSR (Prêmio do Seguro Rural) sujeito a contingenciamento. Para a APEPA (Associação Paranaense de Planejamento Agropecuário), a medida preserva um cenário de instabilidade que pode limitar a expansão da área segurada e comprometer a proteção do produtor.Historicamente, o contingenciamento de recursos do PSR impede o crescimento consistente do seguro agrícola no Brasil. Apesar do potencial produtivo, apenas cerca de 5% da área cultivada está protegida. Na avaliação da entidade, isso fragiliza a gestão de riscos e amplia a exposição a eventos climáticos extremos.Nesse cenário, avança no governo federal o debate sobre o seguro paramétrico, baseado em indicadores como volume de chuva ou temperatura para o pagamento de indenizações. A proposta é defendida como alternativa para ampliar rapidamente a cobertura, sobretudo em regiões de expansão agrícola.A Apepa, porém, alerta para riscos técnicos e operacionais. O diretor-técnico da entidade, engenheiro agrônomo Lucas Schauff, afirma que o modelo ainda não tem maturidade para ampla adoção. “É uma ferramenta interessante do ponto de vista de inovação, mas ainda precisa evoluir muito para refletir com precisão a realidade das lavouras. A quantidade de chuva, por exemplo, nem sempre se traduz diretamente em perda de produtividade. Isso depende de fatores como tipo de solo, variedade cultivada e manejo agronômico”, explica.Para a entidade, o modelo tradicional, baseado na produtividade real, segue mais robusto. O sistema utiliza metodologias consolidadas e avaliações de campo feitas por peritos agrônomos, garantindo maior precisão na identificação das perdas. “O seguro convencional possui uma base técnica muito sólida, construída desde a experiência do Proagro. Nele é possível aferir a produtividade real da lavoura com o suporte de profissionais especializados, o que traz mais segurança tanto para o produtor quanto para o sistema de seguros”, afirma Schauff.A Apepa defende que, antes de uma migração para novos modelos, o mais eficiente seria aprimorar o seguro já existente. Entre as propostas está a ampliação das coberturas, incluindo perdas na qualidade dos grãos causadas por excesso de chuva na colheita. “Em vez de impor um produto ainda em desenvolvimento, o ideal seria evoluir o seguro que já funciona. Há espaço para melhorias importantes, como a inclusão de novas coberturas e o aproveitamento do conhecimento técnico que já existe na ponta”, acrescenta.Outro ponto de preocupação é o risco de desgaste do seguro paramétrico se adotado de forma precipitada ou obrigatória. Segundo Schauff, se as indenizações não refletirem as perdas reais, o modelo pode perder credibilidade. “O grande perigo é queimar uma ferramenta que pode ser útil no futuro. Se ela for lançada de forma precipitada, corremos o risco de ter indenizações indevidas em alguns casos e perdas não cobertas em outros. Isso prejudicaria a confiança do produtor e comprometeria toda a política pública de gestão de risco agrícola”, alerta.Diante desse cenário, a Apepa defende prioridade à estabilidade orçamentária do seguro rural e ao aperfeiçoamento técnico dos instrumentos existentes. Para a entidade, ampliar a previsibilidade e fortalecer o modelo convencional seguem como os caminhos mais seguros para proteger a produção e garantir a sustentabilidade do agronegócio brasileiro.

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