Paraná abre 2026 com recorde na suinocultura, recuperação do arroz e avanço da pera
Boletim do Deral aponta embarques históricos de carne suína no início do ano, retomada da cultura da pera após quase uma década e safra de arroz 10% maior
O Paraná começou 2026 com a suinocultura em ritmo recorde, enquanto a produção de pera ensaia uma retomada após quase dez anos de retração e o arroz caminha para uma safra de recuperação. Os dados constam no novo Boletim Conjuntural do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), e mostram um cenário misto para o agro paranaense: avanço em exportações e produção, mas ainda com desafios de mercado em algumas cadeias.
O destaque de maior peso econômico imediato vem da suinocultura. Nos dois primeiros meses de 2026, o Paraná registrou os maiores volumes já exportados para o período: foram 17,02 mil toneladas em janeiro e 20,62 mil toneladas em fevereiro, consolidando o melhor início de ano da série histórica para os embarques de carne suína no Estado.
O desempenho reforça a força da proteína animal paranaense no mercado externo e mostra que a abertura de novos destinos segue trazendo resultado para a cadeia. Para o produtor, isso significa maior capacidade de escoamento, sustentação de demanda e fortalecimento da competitividade do setor, especialmente em um Estado que tem peso crescente na suinocultura nacional.
Suinocultura ganha fôlego com novos mercados
Segundo o boletim, o avanço nas exportações foi impulsionado pela abertura de novos mercados ao longo de 2025, com destaque para Peru e Chile, além do forte crescimento das compras das Filipinas, que ampliaram em 442,1% as importações de carne suína paranaense em relação ao ano anterior.
No acumulado de 2026, as Filipinas já somam 9,3 mil toneladas, liderando entre os principais compradores. Também aparecem entre os maiores destinos Hong Kong, com 6,5 mil toneladas, Uruguai, com 5,1 mil toneladas, Singapura, com 4,2 mil toneladas, e Argentina, com 3,7 mil toneladas. Na sequência, o boletim cita ainda Vietnã, Costa do Marfim, Peru, Geórgia e Chile como mercados relevantes para a proteína paranaense.
O cenário confirma que a diversificação dos destinos internacionais vem ganhando peso na estratégia da cadeia. Isso reduz a dependência de poucos compradores e abre espaço para maior estabilidade comercial, fator decisivo para frigoríficos, integradoras e produtores.
Mesmo com os recordes de janeiro e fevereiro, o maior volume mensal já registrado ainda segue sendo o de setembro de 2025, quando o Paraná embarcou 25,18 mil toneladas de carne suína.
Pera volta a ganhar área no Paraná
Outro sinal positivo apontado pelo Deral vem da fruticultura. Depois de quase uma década de retração na área cultivada, a cultura da pera voltou a avançar no Paraná, com o plantio de 20 novos hectares entre 2023 e 2024.
Embora o crescimento ainda seja modesto, o movimento é relevante porque indica retomada de uma atividade que vinha perdendo espaço no Estado. Hoje, o Paraná se consolida como o terceiro maior produtor nacional de pera, atrás apenas de Rio Grande do Sul e Santa Catarina.
A produção está concentrada principalmente na Região Metropolitana de Curitiba, que responde por 70% da produção estadual e também do Valor Bruto da Produção (VBP) da fruta. Dentro desse polo, Araucária aparece como principal município de referência, embora a cultura esteja presente em 73 municípios paranaenses.
No cenário nacional, a pera foi cultivada em 996 hectares em 2024, com produção de 14,5 mil toneladas, segundo dados do IBGE citados no boletim. A fruta ocupou a 22ª posição em volume colhido e a 23ª em Valor Bruto da Produção dentro da fruticultura brasileira, com R$ 60,9 milhões.
Mercado da pera segue aquecido na Região Metropolitana
Além da retomada da área, os preços ajudam a explicar o interesse pela cultura. De acordo com o Deral, a pera nacional comum está cotada em R$ 3,50 por quilo no mercado atacadista, enquanto a variedade Yari chega a R$ 7,00/kg.
Na Região Metropolitana de Curitiba, os valores ficaram ainda mais firmes. Em 2025, a Ceasa de Curitiba movimentou 5,4 mil toneladas de peras, com preço médio de R$ 8,10/kg.
Segundo o engenheiro agrônomo do Deral, Paulo Andrade, o momento é de equilíbrio no mercado por conta da oferta vinda dos pomares paranaenses e catarinenses. O diferencial está nas frutas importadas, que seguem em patamar mais alto. As peras argentinas, por exemplo, estão sendo comercializadas a cerca de R$ 10 o quilo.
Para o produtor, isso mostra que há espaço para nichos regionais e valorização do produto local, especialmente em mercados próximos a grandes centros consumidores, como Curitiba.
Arroz deve se recuperar no campo, mas preços preocupam
No segmento dos grãos, o destaque do boletim é o arroz, que deve ter uma safra de recuperação em 2026. A estimativa do Deral é de 147 mil toneladas, volume 10% superior às 134 mil toneladas colhidas em 2025.
A principal região produtora segue sendo a área do entorno do Rio Ivaí, onde se concentra boa parte do cultivo estadual.