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CNA projeta crescimento do PIB do agronegócio em 2025, mas desafios internos e externos afetam o setor

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CNA projeta crescimento do PIB do agronegócio em 2025, mas desafios internos e externos afetam o setor

Projeção foi apresentada em coletiva de imprensa realizada na quarta-feira (11)

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) estima que o PIB do agronegócio deve crescer em 2025, com um avanço de até 5%. No entanto, o cenário interno e externo traz desafios significativos para os produtores rurais brasileiros.

Os principais fatores de preocupação envolvem questões econômicas internas, como a política fiscal, o câmbio e a taxa de juros, além das tensões no mercado internacional.

A análise foi apresentada em coletiva de imprensa realizada na quarta-feira (11), com a presença de lideranças da CNA, como o presidente João Martins, o diretor técnico Bruno Lucchi e a diretora de Relações Internacionais, Sueme Mori.

A CNA aponta que o crescimento do PIB do agronegócio será impulsionado principalmente pelo aumento da produção agrícola, especialmente de grãos, além do crescimento das indústrias de insumos e da agroindústria voltada para as exportações. Para 2025, a expectativa é que a produção agrícola seja um dos principais motores da economia do setor.

Cenário externo e valorização do dólar

Apesar da conclusão das negociações do acordo Mercosul-União Europeia, anunciada em dezembro, o mercado externo continua com desafios. A entidade destaca as tensões geopolíticas e as restrições impostas por países europeus, como a Lei Antidesmatamento da União Europeia (EUDR), que afeta a exportação de produtos agropecuários brasileiros.

Outro ponto de atenção é a valorização do dólar. Embora a alta do câmbio favoreça as exportações, ela também pressiona os custos de insumos, como fertilizantes e tecnologias agrícolas, que são em grande parte importados. Esse fator pode comprometer as margens de lucro dos produtores.

Taxa de juros e inflação

A política monetária também será um desafio importante em 2025. A expectativa da CNA é de que a taxa Selic permaneça elevada, em torno de 13,50%, o que deve impactar a concessão de crédito aos produtores rurais.

A alta dos juros, combinada com desafios fiscais e expectativas inflacionárias, deve afetar diretamente as condições de financiamento do setor.

No aspecto da inflação, a CNA projeta uma desaceleração nos preços dos alimentos, com um aumento de 5,75% em 2025, abaixo dos 8,49% registrados em 2024. A inflação geral, medida pelo IPCA, deve ficar em 4,59%, ainda acima do teto da meta de 4,50%.

Seguros e financiamento do agro

ACNA também destaca que o orçamento do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) para 2025, de R$ 1,06 bilhão, é insuficiente frente à demanda do setor, que é estimada em R$ 4 bilhões. Para tentar contornar esse desafio, a Confederação aposta em alternativas como o Projeto de Lei 2.951/2024, que visa modernizar o seguro rural e criar novas formas de financiamento e mitigação de riscos.

VBP e perspectivas para 2025

O Valor Bruto da Produção (VBP) do agronegócio brasileiro deve atingir R$ 1,43 trilhão em 2025, um aumento de 7,4% em relação ao ano anterior. A produção agrícola será a principal responsável por esse crescimento, com expectativa de alcançar R$ 937,55 bilhões.

Esse avanço reflete a recuperação da produção após as perdas registradas em 2024. Já o VBP da pecuária deve crescer 9,2%, somando R$ 495,13 bilhões, impulsionado especialmente pela bovinocultura de corte, que deverá registrar uma alta de 20,9% nos preços.

Safra 2024/2025

Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a safra de grãos 2024/2025 será recorde, com previsão de 322,53 milhões de toneladas, um aumento de 8,2% em relação à safra anterior. Esse resultado se deve tanto ao aumento da área plantada quanto à recuperação da produtividade das lavouras.

Na pecuária, a produção de leite deve crescer 1,5% em 2025, enquanto a produção de carne bovina tende a cair 3,3%, devido à virada do ciclo pecuário. No entanto, as exportações de carne bovina devem crescer 1,8%, o que deve ajudar a manter os preços elevados.