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Alta do diesel reacende pressão por mudanças na tabela de frete

Foto do autor Francieli Galo
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Alta do diesel reacende pressão por mudanças na tabela de frete
FPA cobra revisão da tabela de frete e alerta para impacto da alta do diesel sobre os custos logísticos do agronegócio.

Frente Parlamentar da Agropecuária afirma que modelo atual da ANTT gera distorções, encarece a logística e reduz a competitividade do setor produtivo

A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) voltou a defender mudanças na política de frete rodoviário no Brasil e alertou para a necessidade de ajustes na tabela da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), em um momento de pressão nos custos logísticos provocada pela alta do diesel.

Em nota oficial, a bancada destacou que já vinha acompanhando o tema de perto e informou que, ainda em 2025, encaminhou ofícios aos ministérios da Agricultura, Transportes, Fazenda e à Casa Civil, solicitando a abertura de um diálogo técnico para revisar a metodologia utilizada na elaboração da tabela de frete.

Segundo a FPA, o entendimento no setor agropecuário é de que o modelo atualmente adotado não reflete a realidade do transporte no país e acaba gerando distorções que afetam diretamente a competitividade das cadeias produtivas.

Setor critica metodologia atual da ANTT

De acordo com a entidade, a principal crítica é que a metodologia da ANTT desconsidera fatores essenciais da operação logística brasileira, como as diferenças regionais, o frete de retorno, a diversidade de cargas transportadas e o perfil da frota utilizada.

Na avaliação da FPA, esses elementos são fundamentais para retratar de forma mais fiel os custos reais do transporte rodoviário. Sem essa adequação, a tabela pode ficar desalinhada da prática de mercado e provocar distorções relevantes no setor.

A bancada avalia que esse cenário acaba pressionando artificialmente os custos logísticos, reduzindo a eficiência das cadeias produtivas e afetando de forma mais intensa atividades com grande volume de transporte e margens mais apertadas, como ocorre em diferentes segmentos do agronegócio.

Alta do diesel amplia pressão sobre o transporte

Outro ponto destacado pela FPA é o impacto do diesel sobre o frete rodoviário. Segundo a entidade, o combustível representa uma das maiores parcelas do custo do transporte e vem sofrendo oscilações importantes, influenciadas pelo cenário internacional, especialmente diante das tensões no Oriente Médio.

Na avaliação da frente parlamentar, esse ambiente amplia a instabilidade na formação do frete e reforça a necessidade de uma política mais previsível para o setor logístico.

Por isso, a FPA defende que o governo federal avance em uma política de transição energética mais eficaz e com maior previsibilidade, capaz de reduzir a volatilidade dos custos e dar mais estabilidade à cadeia de transporte no país.

FPA pede mais transparência e fiscalização da tabela

Além da revisão da metodologia, a FPA também cobra mais transparência na aplicação da tabela de frete e fiscalização permanente dentro de parâmetros compatíveis com as condições reais de mercado.

Segundo a nota, a forma atualmente adotada, com uso de sistemas eletrônicos e pouca clareza sobre os critérios utilizados, além das margens de tolerância, também precisa ser ajustada.

Para a bancada, é necessário que o processo seja mais transparente para evitar insegurança e distorções na relação entre transportadores, produtores e demais agentes da cadeia logística.

Bancada também defende revisão do B17

A FPA também defendeu medidas urgentes para revisar o percentual de mistura obrigatória do biodiesel no diesel, o chamado B17.

Segundo a entidade, a reavaliação desse percentual pode contribuir para maior previsibilidade e equilíbrio no custo energético e logístico brasileiro, reduzindo parte da pressão sobre o transporte rodoviário em um momento de aumento nas despesas operacionais.

Com isso, a bancada reforça a cobrança por mudanças que tragam mais equilíbrio à formação do frete e diminuam os impactos sobre o agronegócio, setor altamente dependente do modal rodoviário para o escoamento da produção.