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Governo amplia operação contra abusos no setor de combustíveis

Foto do autor Francieli Galo
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Governo amplia operação contra abusos no setor de combustíveis
A ação desta quarta-feira focou nas empresas que atuam um nível acima na cadeia do setor. Foto: EBC

Ação conjunta de Senacon, ANP e Polícia Federal fiscalizou seis distribuidoras no Distrito Federal após denúncias de abusividade de preços e retenção de combustíveis

O governo federal ampliou nesta quarta-feira (18) a ofensiva de fiscalização no setor de combustíveis e passou a mirar as distribuidoras, etapa acima dos postos dentro da cadeia de comercialização. Em ação conjunta no Distrito Federal, a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e a Polícia Federal (PF) realizaram operações em seis empresas após denúncias de possíveis práticas abusivas.

A medida ocorre em um momento de atenção redobrada sobre os preços dos combustíveis, tema que afeta diretamente a logística nacional e, por consequência, setores como o agronegócio, altamente dependente do transporte rodoviário.

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Operação mirou distribuidoras após ação em postos

Diferentemente da operação realizada na terça-feira (17), que teve foco nos postos de combustíveis, a nova etapa da força-tarefa concentrou esforços nas empresas que atuam um nível acima da revenda.

Segundo o governo, a mudança de foco busca avançar sobre um elo estratégico da cadeia, onde podem ocorrer práticas com impacto direto na formação dos preços ao consumidor final.

Ao todo, seis distribuidoras foram fiscalizadas no Distrito Federal. A ANP notificou todas elas e, até o fim da tarde, já havia autuado três empresas — Raízen, Ipiranga e Masut — por questões relacionadas à abusividade de preços.

Senacon notificou empresas que concentram fatia relevante do mercado

Paralelamente, a Senacon, com base no Código de Defesa do Consumidor, notificou as distribuidoras Vibra (antiga BR), Raízen e Ipiranga.

Segundo o governo, essas três empresas concentram cerca de 70% do mercado nacional, o que amplia o peso da fiscalização sobre as decisões comerciais adotadas por esse segmento.

A operação ganhou força após o recebimento de denúncias e informações repassadas por postos de combustíveis e órgãos de defesa do consumidor, como os Procons, que apontaram nos últimos dias indícios de irregularidades na formação de preços e na oferta de produtos.

Governo apura indícios de abusividade e retenção de combustíveis

De acordo com as autoridades, as autuações foram motivadas por indícios de práticas consideradas preocupantes dentro da cadeia de distribuição.

Entre os pontos apurados estão a comercialização de combustíveis adquiridos por preços anteriores, mas revendidos com valores já reajustados, além da retenção de produtos com o objetivo de aguardar novas altas de preços.

Na avaliação do governo, esse tipo de conduta pode pressionar artificialmente o mercado e gerar impactos negativos para consumidores, empresas e setores produtivos que dependem do diesel e da gasolina para movimentar suas operações.

Força-tarefa reúne órgãos de fiscalização e defesa da concorrência

A operação desta quarta-feira também chamou atenção pelo nível de integração entre diferentes órgãos federais.

Segundo o secretário nacional do Consumidor, Ricardo Morishita, a atuação conjunta reúne estruturas de fiscalização, investigação policial, proteção ao consumidor e defesa da concorrência em uma ação coordenada para enfrentar práticas abusivas no setor.

Além da ANP, Senacon e Polícia Federal, o esforço também envolve articulação com o Ministério de Minas e Energia, Receita Federal, Sistema Nacional de Defesa do Consumidor e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

A avaliação do governo é que a atuação integrada fortalece a capacidade de resposta diante de suspeitas de irregularidades que afetam diretamente a sociedade e a dinâmica de preços no país.

Impacto no diesel preocupa cadeia logística e agronegócio

Embora a operação tenha foco no consumidor e na concorrência, o reflexo das movimentações no setor de combustíveis também é acompanhado de perto pelo agronegócio.

Isso porque aumentos abruptos ou distorções na cadeia de distribuição do diesel afetam diretamente o frete rodoviário, encarecem o transporte de insumos e da produção e pressionam ainda mais os custos logísticos, especialmente em regiões dependentes de longas rotas para escoamento.

Em um cenário de margens apertadas em várias cadeias produtivas, qualquer instabilidade nos combustíveis tem potencial para reduzir competitividade e ampliar a preocupação do setor com os custos no campo.

Governo reforça que liberdade de preços não autoriza abusos

Ao comentar a operação, o secretário Ricardo Morishita afirmou que, embora o país opere em um regime de liberdade de preços, isso não significa liberdade para práticas lesivas ao mercado e ao consumidor.

A posição reforça que eventuais excessos, distorções e condutas abusivas seguirão sendo monitorados e, quando houver indícios consistentes, poderão resultar em novas autuações e desdobramentos administrativos ou investigativos.

A tendência é que a fiscalização continue nas próximas semanas, sobretudo se persistirem denúncias sobre repasses considerados desproporcionais, retenção de combustíveis ou outras condutas que elevem a pressão sobre os preços.

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