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Outono começa em 20 de março e deve ter início abafado no Brasil

Foto do autor Francieli Galo
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Outono começa em 20 de março e deve ter início abafado no Brasil
Queda de temperatura no Sul e Sudeste não antecipa o outono, que deve começar com calor, abafamento e chuva em grande parte do país.

Apesar da queda de temperatura em áreas do Sul e do Sudeste nos últimos dias, a tendência é de calor, abafamento e pancadas de chuva no início da nova estação

A sensação de frio registrada em áreas do Sul e do Sudeste na segunda semana de março fez muita gente acreditar que o outono de 2026 poderia chegar mais cedo. No entanto, a nova estação ainda não começou e a tendência é justamente o contrário: o outono deve ter início abafado, com calor e pancadas de chuva em grande parte do país.

Astronomicamente, o outono de 2026 começa às 11h45 do dia 20 de março. Segundo a análise da Climatempo, a recente queda de temperatura em algumas áreas do Sul e do Sudeste não representa uma antecipação da estação, mas sim um episódio pontual provocado por uma frente fria mais forte do que o normal para esta época do ano.

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Frio chamou atenção no Sul e no Sudeste

A segunda semana de março de 2026 foi marcada por muita nebulosidade e chuva frequente em grande parte do Brasil, o que impediu que as temperaturas atingissem valores extremos.

O calor mais intenso, entre 36°C e 37°C, foi observado em áreas de Roraima e Alagoas, onde o sol forte predominou.

Por outro lado, em áreas do Sul e do Sudeste, a queda de temperatura chamou atenção. Em Curitiba, a tarde de 9 de março foi a mais fria do ano até agora, com temperatura máxima de 21,1°C. Em São Paulo, a máxima foi de 22,3°C na tarde do mesmo dia, a menor máxima para um dia de março desde 2024. Já no Rio de Janeiro, a tarde de 11 de março foi a terceira mais fresca do ano, com máxima de 24,2°C.

Frente fria mais forte explica queda de temperatura

Segundo a Climatempo, a queda de temperatura no leste do Paraná, em São Paulo, no Rio de Janeiro e no Sul de Minas foi provocada por uma combinação de fatores, com destaque para a atuação de uma frente fria atípica para março.

No início da segunda semana de março, uma frente fria avançou pela costa do Sul e do Sudeste com força acima do normal para o período. Esse sistema trouxe uma massa de ar frio considerada forte para esta época do ano.

Além disso, os ventos úmidos e frios associados a essa massa de ar permaneceram por vários dias sobre o Sul e o Sudeste, contribuindo para reduzir a temperatura, em conjunto com o excesso de nuvens e a chuva frequente.

Outono não chega mais cedo e deve começar abafado

Apesar do episódio de frio, a Climatempo reforça que isso não significa que o outono vai começar mais cedo em 2026.

A explicação é que a atmosfera não segue exatamente o calendário das estações. Ou seja, a mudança oficial da estação não significa que as características climáticas típicas do outono serão percebidas imediatamente no centro-sul do Brasil.

Segundo a previsão, a tendência é de aquecimento no Sul, Sudeste e Centro-Oeste durante a última semana do verão e na primeira semana do outono, com o afastamento do ar polar e a diminuição da chuva.

Com isso, o outono deve começar com sensação de abafamento e pancadas de chuva na maior parte do país.

Abril deve seguir com padrão de verão

Para abril, a Climatempo não prevê avanço de ar frio intenso sobre o Brasil.

Segundo a analista da equipe de previsão climática, Ana Clara Marques, o padrão predominante no início do outono ainda deve lembrar o clima típico de verão, com tempo abafado e pancadas de chuva.

Ela destaca que a queda mais expressiva da temperatura deve ocorrer apenas em maio, o que é considerado normal para o período por causa da redução das horas de sol sobre o Brasil.

Ainda assim, a previsão indica que não há expectativa de ondas de frio muito intensas durante abril.

Primeira massa de ar polar intensa pode chegar entre maio e junho

De acordo com a Climatempo, a primeira massa de ar polar intensa do outono deve chegar ao Brasil na virada de maio para junho.

A previsão indica possibilidade de frio acentuado e geada em áreas do Sul do Brasil, além de temperaturas mínimas em torno de 10°C na cidade de São Paulo.

A analista Ana Clara Marques ressalta, porém, que essa é uma previsão de longo prazo e ainda pode passar por ajustes nas próximas semanas, para mais ou para menos frio.

Inverno rigoroso no Hemisfério Norte não indica frio intenso no Brasil

A Climatempo também destaca que o inverno rigoroso no Hemisfério Norte não significa, necessariamente, que o Hemisfério Sul terá um inverno rigoroso em 2026.

Segundo Ana Clara Marques, não existe relação direta entre um inverno muito frio no Hemisfério Norte e a ocorrência de um inverno igualmente intenso no Hemisfério Sul.

Ela explica que alguns mecanismos climáticos, como El Niño e La Niña, influenciam ambos os hemisférios, mas isso não determina uma repetição automática do padrão de frio.

Expectativa é de ondas de frio pontuais em 2026

Tecnicamente, um La Niña fraco predominou durante o verão no Hemisfério Sul e está sendo finalizado. O outono deve ser um período de transição, com entrada em neutralidade e, depois, início de um El Niño.

Segundo a análise da Climatempo, é comum que, após a desconfiguração de um La Niña, algumas massas de ar frio mais intensas avancem sobre o Brasil.

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