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Exportação de frango cresce 6% mesmo com crise no Oriente Médio

Foto do autor Jair Reinaldo
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Exportação de frango cresce 6% mesmo com crise no Oriente Médio
Exportações brasileiras de carne de frango cresceram 6% em março e bateram recorde de receita, mesmo com impactos do conflito no Oriente Médio.

Setor embarcou 504,3 mil toneladas em março e registrou receita recorde, com demanda firme na Ásia e manutenção parcial dos embarques ao Oriente Médio

As exportações brasileiras de carne de frango voltaram a mostrar força em março e cresceram mesmo em meio à crise no Oriente Médio. Segundo dados divulgados pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), o Brasil embarcou 504,3 mil toneladas de carne de frango no mês, entre produtos in natura e processados, volume 6% superior ao registrado no mesmo período do ano passado, quando foram exportadas 476 mil toneladas.

Além do avanço em volume, o setor também bateu recorde de receita mensal, com US$ 944,7 milhões em março, alta de 6,2% em relação aos US$ 889,9 milhões obtidos no mesmo mês de 2025.

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O desempenho chama atenção porque ocorre em um cenário de tensão geopolítica, com reflexos logísticos no Oriente Médio após o fechamento do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio internacional. Ainda assim, o Brasil conseguiu manter o fluxo de embarques para a região por caminhos alternativos e compensou a desaceleração local com a força da demanda em outros mercados.

Setor mantém ritmo forte no primeiro trimestre

No acumulado de janeiro a março, a avicultura brasileira também fechou o trimestre em alta.

O volume exportado chegou a 1,456 milhão de toneladas, resultado 5% superior ao registrado no primeiro trimestre de 2025, quando o setor havia embarcado 1,387 milhão de toneladas.

Em receita, o avanço foi ainda mais expressivo. O faturamento acumulado somou US$ 2,764 bilhões neste início de ano, alta de 6,9% sobre os US$ 2,586 bilhões registrados no mesmo período do ano passado.

Na prática, os números confirmam que a carne de frango brasileira segue com demanda consistente no mercado internacional, mesmo diante de desafios logísticos e instabilidades externas.

Oriente Médio sente impacto, mas embarques seguem

A crise no Oriente Médio teve efeito direto sobre os volumes enviados à região, mas sem interromper o abastecimento.

Segundo a ABPA, os embarques para os países do Oriente Médio que compram carne de frango do Brasil recuaram 18,5% em março na comparação com fevereiro, mês anterior ao agravamento do conflito.

Mesmo assim, o setor destaca que o fluxo comercial continua ativo. De acordo com o presidente da ABPA, Ricardo Santin, o desempenho mostra que o Brasil conseguiu manter o acesso aos mercados da região por meio de rotas alternativas, apesar do fechamento do Estreito de Ormuz.

Segundo ele, foram enviadas mais de 100 mil toneladas para mercados do Oriente Médio em março, sendo mais de 45 mil toneladas destinadas diretamente aos países mais afetados pelas restrições logísticas.

A avaliação da entidade é que as ações de facilitação conduzidas pelo Ministério da Agricultura e pelo setor privado têm sido importantes para preservar o abastecimento de alimentos em uma área impactada pela guerra, ao mesmo tempo em que outros mercados seguem ampliando a demanda.

Ásia sustenta crescimento das exportações

Enquanto o Oriente Médio apresentou retração pontual, outros destinos ajudaram a sustentar o bom desempenho das exportações brasileiras.

A China retomou o ritmo de importações observado antes de maio de 2025, quando houve um foco de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP) na produção comercial brasileira — episódio que, segundo o setor, já foi superado.

Em março, os embarques para os chineses somaram 51,8 mil toneladas, alta de 11,6% na comparação com o mesmo mês do ano passado.

No ranking dos principais compradores, o Japão aparece com 42,1 mil toneladas, crescimento expressivo de 41,3%. Já a Arábia Saudita importou 38,7 mil toneladas, com recuo de 5,3%, refletindo parte dos impactos regionais.

Também se destacaram a África do Sul, com 33,1 mil toneladas e alta de 21,4%, e a União Europeia, com 30,7 mil toneladas, avanço de 33,7%.

Esse movimento mostra que a diversificação de mercados continua sendo um dos principais pilares da avicultura brasileira, reduzindo a dependência de uma única região e ajudando a amortecer choques externos.

Paraná segue na liderança das exportações

Principal estado exportador de carne de frango do país, o Paraná manteve a liderança com folga em março. O estado embarcou 202 mil toneladas, volume 5,1% superior ao registrado no mesmo mês do ano passado, reforçando sua posição como principal polo da avicultura brasileira no mercado internacional.

Na sequência aparecem Santa Catarina, com 109 mil toneladas e alta de 2,7%; Rio Grande do Sul, com 70,7 mil toneladas e avanço de 11,9%; São Paulo, com 32,5 mil toneladas e crescimento de 22,6%; e Goiás, com 26 mil toneladas, alta de 14,8%.

Para o Paraná, o resultado tem peso especial. Como líder nacional nas exportações de frango, qualquer avanço no comércio externo reforça o impacto positivo sobre a cadeia produtiva local, que envolve produtores integrados, agroindústrias, cooperativas, transportadoras e fornecedores de insumos.

Avicultura mostra resiliência em cenário de instabilidade

O desempenho de março deixa claro que a avicultura brasileira segue resiliente mesmo diante de um ambiente internacional mais desafiador.

A combinação de demanda aquecida na Ásia, retomada de mercados estratégicos como a China, manutenção parcial dos embarques ao Oriente Médio e uso de rotas alternativas permitiu ao setor preservar o crescimento e ampliar a receita.

Para o agro brasileiro, o resultado reforça a competitividade da carne de frango no mercado global e confirma o peso da proteína animal nas exportações do país. Em um cenário de incertezas geopolíticas, a mensagem do setor é direta: mesmo com turbulências externas, o Brasil segue conseguindo garantir abastecimento, manter mercados e ampliar faturamento.

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