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Carne de frango tem menor preço desde julho de 2023

Foto do autor Francieli Galo
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Carne de frango tem menor preço desde julho de 2023
Carne de frango recua em março, atinge menor preço desde julho de 2023 e ganha competitividade frente às proteínas concorrentes.

Pressionados pela demanda doméstica fraca e pelas incertezas no mercado externo, preços do frango recuam em março e ampliam competitividade frente às carnes suína e bovina

Os preços da carne de frango seguem em queda nas praças acompanhadas pelo Cepea e já atingiram, em março, o menor patamar desde julho de 2023. No atacado da Grande São Paulo, o frango resfriado foi negociado à média de R$ 6,73 por quilo na parcial do mês até o dia 18, o que representa recuo de 5,2% em relação a fevereiro, em termos reais, considerando o deflacionamento pelo IPCA de fevereiro de 2026.

Segundo o Cepea, a desvalorização está ligada principalmente à demanda doméstica enfraquecida, que tem limitado o ritmo dos negócios no mercado interno. Além disso, o setor também acompanha com cautela as especulações em torno das incertezas provocadas pelo conflito no Oriente Médio, região considerada estratégica para as exportações brasileiras de carne de frango.

Demanda fraca pressiona mercado interno

O cenário de consumo mais lento no mercado doméstico tem sido um dos principais fatores de pressão sobre as cotações do frango neste início de março.

Com menor ritmo de compras, os preços seguem cedendo nas principais praças monitoradas pelo Cepea, refletindo um ambiente de maior dificuldade para sustentação de valores no atacado.

A média registrada na Grande São Paulo reforça esse movimento e coloca a proteína avícola no menor nível real em mais de dois anos e meio.

Conflito no Oriente Médio aumenta cautela no setor

Além da fraqueza no consumo interno, o mercado também sente os efeitos das incertezas no comércio exterior.

O conflito no Oriente Médio, importante destino das exportações brasileiras de carne de frango, tem gerado apreensão entre os agentes do setor. Embora os embarques ainda sejam acompanhados de perto, o ambiente de instabilidade alimenta especulações e contribui para um comportamento mais cauteloso nas negociações.

Essa combinação entre demanda doméstica mais fraca e preocupação com o mercado externo ajuda a explicar a intensidade da queda nas cotações observadas em março.

Frango ganha competitividade frente às carnes concorrentes

Com a queda mais acentuada dos preços, a carne de frango tem ampliado sua competitividade em relação às proteínas concorrentes.

De acordo com os pesquisadores do Cepea, no caso da carne suína, embora também haja movimento de baixa, as desvalorizações do frango têm sido ainda mais intensas, o que melhora a relação de preços para o consumidor.

Na comparação com a carne bovina, o cenário é ainda mais favorável ao setor avícola. Isso porque, enquanto o frango recua, os preços da proteína bovina seguem em alta, aumentando a diferença entre os produtos e reforçando o apelo do frango como opção mais acessível.

Setor monitora consumo e exportações

O comportamento do mercado nas próximas semanas deve continuar atrelado à reação da demanda interna e à evolução do cenário internacional.

Se o consumo doméstico seguir enfraquecido e as incertezas externas persistirem, o setor pode continuar enfrentando dificuldade para recuperar preços no curto prazo.

Por outro lado, a maior competitividade frente às carnes suína e bovina pode favorecer o consumo da proteína avícola e ajudar a limitar novas quedas mais à frente.