Maior oferta global derruba preços do açúcar na safra 2025/26
Indicador do açúcar cristal em São Paulo caiu quase 20% na comparação anual, e perspectivas para a safra 2026/27 ainda apontam mercado pressionado
O mercado de açúcar encerrou a safra 2025/26, em março, com preços mais baixos em relação ao ciclo anterior, refletindo a maior disponibilidade global e o reequilíbrio entre oferta e demanda no mercado internacional. Segundo análise do Cepea, o movimento marca uma mudança em relação à safra 2024/25, quando as cotações ficaram em patamares mais elevados e acima do usual.
No estado de São Paulo, a média do Indicador CEPEA/ESALQ do açúcar cristal branco, com padrão Icumsa 130 a 180, recuou de R$ 145,28 por saca de 50 quilos na safra 2024/25 para R$ 116,90 por saca na temporada 2025/26. A queda foi de quase 20% no comparativo entre os ciclos, sinalizando um ambiente de mercado mais pressionado para o setor sucroenergético.
Ao longo da safra, os preços oscilaram em diferentes momentos, mas sem alterar a tendência predominante de baixa. De acordo com pesquisadores do Cepea, esse comportamento esteve ligado, principalmente, a fatores externos, como questões geopolíticas e o ambiente macroeconômico global, que aumentaram a percepção de risco e provocaram movimentos pontuais de valorização. Ainda assim, esses episódios não foram suficientes para reverter de forma estrutural a pressão exercida pelo aumento da oferta.
Mercado segue pressionado para a próxima safra
Para a safra 2026/27, as perspectivas iniciais ainda indicam um cenário internacional com preços entre estáveis e pressionados para baixo. A avaliação do Cepea é de que a expectativa de maior disponibilidade de cana-de-açúcar tende a favorecer o avanço da produção, ampliando a oferta potencial de açúcar no mercado.
Esse quadro mantém o setor atento ao comportamento das cotações nos próximos meses, já que uma produção mais robusta pode continuar limitando reações mais consistentes nos preços. Para usinas e produtores, o ambiente exige atenção redobrada à comercialização e ao planejamento, diante de um mercado que segue sensível ao equilíbrio global entre oferta e demanda.