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Açúcar cristal segue em queda no spot paulista

Foto do autor Francieli Galo
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Açúcar cristal segue em queda no spot paulista
Mercado spot paulista segue pressionado para o açúcar cristal, enquanto conflito no Oriente Médio eleva atenção sobre logística e exportações brasileiras.

Indicador CEPEA/ESALQ do cristal branco recuou no mercado spot paulista, enquanto conflito no Oriente Médio sustenta os preços externos e eleva preocupação com logística e exportações brasileiras

O Indicador CEPEA/ESALQ do açúcar cristal branco (Icumsa 130-180) manteve trajetória de queda no mercado spot de São Paulo ao longo da última semana, refletindo ajustes no mercado físico e um ritmo mais fraco de negociações.

Segundo levantamento do Cepea, o indicador até iniciou o período com alta moderada, mas passou a registrar baixas nos dias seguintes, em um movimento influenciado pela menor liquidez e por acomodações nas negociações entre compradores e vendedores.

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O comportamento mostra um mercado interno mais cauteloso, mesmo diante de um cenário internacional que segue pressionado por fatores geopolíticos.

Mercado físico tem ajustes e menor volume de negócios

De acordo com os pesquisadores do Cepea, a queda no indicador do cristal branco no spot paulista está ligada principalmente ao ajuste das cotações no mercado físico e ao menor volume de negócios realizados no período.

Esse movimento indica um ambiente de comercialização mais lento, com negociações mais pontuais e menor intensidade nas transações, o que acaba pressionando os preços internos.

No caso do mercado paulista, referência importante para o setor, o recuo do indicador reforça a diferença entre o comportamento doméstico e as pressões observadas no cenário externo.

Conflito no Oriente Médio sustenta açúcar em Nova York

Enquanto o mercado spot brasileiro mostra enfraquecimento, o cenário internacional segue em outra direção.

Segundo o Cepea, o conflito no Oriente Médio tem influenciado os preços do açúcar demerara negociado na Bolsa de Nova York (ICE Futures), em meio à escalada das tensões na região.

Um dos principais fatores por trás desse movimento é a valorização do petróleo, que passou de cerca de US$ 72,00 para US$ 103,00 por barril.

A alta da energia tende a dar sustentação aos preços externos do açúcar, já que aumenta a atenção sobre custos logísticos, combustíveis e também sobre a relação entre açúcar e etanol no mercado global.

Setor monitora risco logístico e custo de frete

Além do impacto direto sobre as cotações internacionais, o Cepea alerta que um eventual prolongamento do conflito pode trazer dificuldades adicionais para o escoamento do açúcar brasileiro.

Segundo os pesquisadores, problemas logísticos podem se intensificar, especialmente com a necessidade de rotas mais longas e com o avanço dos custos de frete e de seguro.

Esse cenário tende a tornar o transporte mais caro e mais complexo, elevando o risco operacional para exportadores e podendo afetar o ritmo de embarques em determinadas rotas.

Caso as tensões persistam, parte do açúcar pode acabar permanecendo por mais tempo nos armazéns das regiões produtoras, aguardando condições mais seguras para exportação.

Oriente Médio responde por fatia importante das exportações brasileiras

O Oriente Médio é um destino relevante para o açúcar brasileiro, o que aumenta a preocupação do setor diante do agravamento do cenário geopolítico.

Segundo dados da Secex citados pelo Cepea, os países da região mais impactados pelo conflito — como Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Iêmen, Israel, Iraque e Omã — receberam mais de 5 milhões de toneladas de açúcar do Brasil em 2025.

Esse volume representa cerca de 15% de toda a exportação brasileira do produto no período.

O dado reforça o peso estratégico da região para o setor sucroenergético e ajuda a explicar por que o mercado acompanha com atenção a evolução do conflito e seus possíveis reflexos sobre embarques, logística e formação de preços.

Mercado interno e externo seguem em direções diferentes

O cenário atual mostra um contraste entre o mercado interno e o internacional.

No Brasil, o açúcar cristal branco segue pressionado no spot paulista, em meio a ajustes físicos e menor volume de negociações.

No exterior, porém, o açúcar encontra sustentação diante da alta do petróleo e das incertezas logísticas provocadas pelo conflito no Oriente Médio.

Para o setor, a combinação desses fatores deve manter a atenção voltada tanto para o comportamento do mercado físico doméstico quanto para os desdobramentos geopolíticos que podem impactar diretamente as exportações brasileiras nas próximas semanas.

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