Aprosoja MT debate classificação de grãos e logística da safra
Reuniões das comissões de Defesa Agrícola e Logística apontam divergências na classificação da produção, problemas no frete e desafios no escoamento da safra em Mato Grosso
A Aprosoja MT colocou em pauta, nesta quarta-feira (8), dois dos temas mais sensíveis para os produtores de soja e milho em Mato Grosso: a classificação dos grãos e os gargalos logísticos que seguem pressionando o escoamento da safra. A entidade deu início à segunda rodada de reuniões das comissões de Defesa Agrícola e Logística, com debates voltados às principais demandas dos associados e à prestação de contas das ações desenvolvidas ao longo do triênio 2024/2026.
O encontro reuniu produtores de diferentes regiões do estado e expôs problemas recorrentes que afetam diretamente a rotina no campo, desde divergências na avaliação da qualidade da soja e do milho entregues às empresas privadas até entraves ligados à tabela do frete, rodovias e projetos estruturantes para o transporte da produção.
Na prática, as discussões reforçam a necessidade de ajustes em pontos que impactam custo, previsibilidade, segurança jurídica e competitividade do agro mato-grossense.
Classificação de grãos preocupa produtores
Pela manhã, a Comissão de Defesa Agrícola concentrou os debates em temas ligados à qualidade da produção e dos insumos, com destaque para a classificação dos grãos no momento da entrega.
Também entraram na pauta assuntos como a qualidade das sementes utilizadas nas safras anteriores e na atual, a garantia de entrega de fertilizantes dentro dos padrões esperados, os trabalhos desenvolvidos nos Centros de Pesquisa, atualizações sobre o novo modelo de entrega de relatórios do Programa Aproclima e questões legislativas que afetam diretamente os produtores.
Segundo o vice-presidente sul da Aprosoja MT e coordenador da Comissão de Defesa Agrícola, Fernando Ferri, a reunião serviu tanto para apresentar resultados quanto para ouvir de forma direta as demandas das bases.
De acordo com ele, foram expostos dados de coleta de fertilizantes, amostragem de sementes e etapas da soja e do milho, além de um panorama das ações em andamento, especialmente na área legislativa. Ferri também destacou que o encontro abriu espaço para que os produtores apontassem prioridades e necessidades de evolução nos próximos semestres.
Divergências na avaliação da soja e do milho
Um dos pontos que mais chamou a atenção no encontro foi o relato de produtores sobre dificuldades na classificação da soja e do milho entregues ao mercado.
Segundo os participantes, tradings e portos têm apontado um volume elevado de inconformidades na qualidade dos grãos, o que tem gerado preocupação sobre os critérios adotados e a forma como essas análises vêm sendo conduzidas.
O delegado coordenador do núcleo de Alto Taquari, Guilherme Kok, afirmou que o debate é fundamental para mapear os problemas enfrentados em diferentes regiões do estado e buscar soluções que beneficiem todo o setor.
A avaliação dentro da entidade é que a classificação dos grãos precisa avançar em transparência e alinhamento técnico, já que eventuais divergências podem afetar diretamente a remuneração do produtor no momento da comercialização.
Para o setor, esse tema é estratégico, porque qualquer distorção na análise da qualidade pode representar perdas financeiras relevantes na entrega da produção.
Logística volta ao centro das preocupações
No período da tarde, os debates migraram para a Comissão de Logística, onde foram discutidos os principais gargalos de infraestrutura e transporte que afetam Mato Grosso, especialmente em período de safra.
Entraram na pauta temas como piso mínimo do frete, peso por eixo, concessões rodoviárias e ferrovias, além de atualizações sobre corredores estratégicos para o escoamento da produção.
As discussões contaram com a participação de representantes da Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística de Mato Grosso e incluíram informações sobre rodovias importantes, como BR-163, BR-158 e BR-242, além de projetos ferroviários considerados essenciais para o futuro do estado, como Ferrogrão, Ferronorte e FICO.
O vice-presidente norte da Aprosoja MT e coordenador da Comissão de Logística, Diogo Balistieri, destacou que a presença dos produtores é decisiva para orientar a atuação da entidade e direcionar as prioridades de trabalho.
Segundo ele, a comissão apresentou um levantamento detalhado sobre as condições das estradas e os principais problemas enfrentados durante a safra, reforçando que o avanço ferroviário é visto como uma alternativa importante para reduzir custos e melhorar a competitividade do estado no longo prazo.
Tabela de frete gera notificações e multas
Entre os temas que mais preocuparam os produtores, a tabela de frete com preço mínimo apareceu como um dos principais pontos de tensão.
O produtor do núcleo de Feliz Natal, Sandro Mick, relatou que produtores da região — assim como em outras áreas de Mato Grosso — vêm recebendo notificações e multas da ANTT relacionadas ao cumprimento da tabela, muitas vezes sem que a metodologia reflita a realidade das distâncias percorridas dentro do próprio município.
Segundo ele, há inconsistências no modelo atual, já que municípios com grande extensão territorial, como Feliz Natal, podem ter propriedades distantes mais de 100 quilômetros entre si, enquanto as notificações consideram apenas a distância entre municípios, desconsiderando o trajeto real entre fazendas e armazéns.
Na prática, essa distorção gera insegurança e preocupação entre os produtores, especialmente aqueles que foram surpreendidos por autuações e alegam falta de aderência da regra à realidade do campo.
Diante disso, a demanda do setor é por uma revisão dos critérios usados na aplicação da tabela de frete, buscando maior coerência operacional e jurídica.
Demandas devem orientar atuação da entidade
As pautas levantadas durante a reunião devem servir de base para a atuação institucional da Aprosoja MT junto aos órgãos competentes.
A expectativa é que os apontamentos feitos pelos produtores ajudem a construir soluções para problemas que afetam diretamente o dia a dia da atividade, como divergências na classificação de grãos, qualidade de insumos, infraestrutura precária, insegurança no frete e limitações no escoamento.
Para o agro de Mato Grosso, esses temas têm peso estratégico. O estado é líder nacional na produção de soja e milho, e qualquer falha logística ou comercial impacta não apenas a rentabilidade dentro da porteira, mas também a competitividade da produção brasileira nos mercados interno e externo.
Agenda segue até sexta-feira