Mercado de boi gordo em valorização leva JBS a adotar férias coletivas
Enquanto a demanda doméstica apresenta firmeza, as exportações seguem em ritmo acelerado, com as indústrias frigoríficas exportadoras intensivamente e lidando com a escassez de animais
O mercado do boi gordo segue em ritmo de forte valorização no mercado físico nacional com destaque relevante para as praças paulista e mato-grossense, que têm apresentado os maiores ganhos no país.
Em outra ponta, demanda doméstica apresenta firmeza, enquanto as exportações seguem em ritmo acelerado, com as indústrias frigoríficas exportadoras trabalhando em grande intensidade e tendo que lidar com a escassez de animais. Neste ambiente, a JBS adotou férias coletivas em duas unidades no Estado de Mato Grosso.
Começo pelo pela notícia do dia, melhor dizendo, confirmação do dia, na qual a JBS suspende as atividades das unidades de Água Boa e Pedra Preta, no Mato Grosso, através de férias coletivas de 20 dias. Fica muito claro a estratégia para conter a elevação forte de preços na região, enquanto a demanda por produção de carne bovina passa para unidades de outras regiões.
Também é possível afirmar que o período de maior intensidade de preços, como uma espécie de “entressafra“, veio para o mês de abril. Outro cenário relevante é que a MBRF indica também a possibilidade de redução de turno em Várzea Grande/MT e Promissão, São Paulo.
Qual o motivo das férias e redução de atividades? Fica evidente ser a elevação de preços da arroba do boi gordo. No Mato Grosso, o acumulado do ano traz uma alta média R$ 60,00 por arroba, chegando até R$ 75,00 em algumas localidades.
Um aspecto importante a ser observado no comportamento do setor industrial está na pressão interna, com os valores da arroba do boi em franca valorização nas praças brasileiras e, também, o câmbio, que tem tido desvalorização, puxada pela volatilidade ocasionada pelo conflito geopolítico no Oriente Médio.
Mesmo com hedge feito em torno do câmbio pelas indústrias frigoríficas, parte considerável dos negócios fica sujeito ao mercado financeiro, fator que reduz as margens da indústria na moeda brasileira. Por enquanto, tempo de preços firmes com valorização da arroba em todas as praças brasileiras.
A intensidade das exportações mantém as escalas de abate com pouco folga, o que permite prever novas altas durante o mês de abril, mesmo na segunda quinzena.
Para a próxima semana, a expectativa é de novas valorizações e, possivelmente, mais unidades de abate paralisando a atividade.