Exportações de carne bovina de MT para o Chile avançam 52% em janeiro
Volume embarcado para o mercado chileno saltou de 2,7 mil para 4,2 mil toneladas em janeiro, consolidando o país entre os principais compradores da proteína mato-grossense
O Chile ampliou em 52,4% as compras de carne bovina de Mato Grosso em janeiro de 2026, na comparação com o mesmo período do ano passado, e reforçou sua posição entre os principais destinos da proteína produzida no estado. O volume exportado saltou de 2,7 mil toneladas em janeiro de 2025 para 4,2 mil toneladas no primeiro mês deste ano, movimento que colocou o país sul-americano como o quarto principal mercado da carne mato-grossense.
O desempenho confirma o avanço da presença da proteína de Mato Grosso na América do Sul e reforça a importância do mercado chileno para a estratégia de exportação do setor pecuário estadual. Além do crescimento expressivo em janeiro, o histórico recente mostra uma trajetória de expansão contínua nas vendas para o país vizinho.
Mercado chileno já vinha ganhando espaço em 2025
A alta registrada no início de 2026 ocorre após um ano de forte crescimento nas exportações para o Chile. Em 2025, o país já havia se consolidado como o terceiro maior comprador de carne bovina de Mato Grosso, com aquisição de 47,7 mil toneladas. O volume representou aumento de 44,8% em relação a 2024, quando os embarques somaram 32,5 mil toneladas e o mercado chileno ocupava apenas a sétima posição no ranking dos destinos da proteína estadual.
Esse avanço mostra que o Chile deixou de ser um comprador secundário e passou a ocupar papel estratégico para o setor, tanto pelo volume negociado quanto pela estabilidade da demanda.
Setor vê Chile como mercado estratégico para a pecuária
Para o diretor de Projetos do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), Bruno de Jesus Andrade, o desempenho reforça a capacidade da carne produzida em Mato Grosso de atender diferentes perfis de mercado no exterior.
Segundo ele, o Chile se destaca por combinar demanda consistente com vantagens logísticas, o que torna o destino especialmente relevante para a expansão das exportações do estado.
“O Chile é um mercado estratégico porque alia volume e facilidade de logística. Os bons resultados nesse mercado mostram o quanto estamos preparados para atender às diferentes exigências de consumidores”, afirmou.
A avaliação do setor é de que ampliar as vendas para países da América do Sul ajuda a sustentar a rentabilidade da pecuária mato-grossense, principalmente em um cenário em que a diversificação dos destinos se torna cada vez mais importante para reduzir riscos comerciais.
Perfil do consumidor chileno favorece carne padronizada e de maior valor
Um dos fatores que ajudam a explicar o bom desempenho de Mato Grosso no mercado chileno é o perfil de consumo local.
O consumidor chileno prioriza cortes desossados, carne refrigerada e padronização no acabamento, exigências que favorecem estados com grande escala de produção e parque frigorífico estruturado, como é o caso de Mato Grosso.
Na prática, isso significa que a competitividade não depende apenas do volume produzido, mas também da capacidade das indústrias de atender padrões específicos de qualidade, apresentação e processamento.
Esse perfil de mercado também pode contribuir para melhor valorização de determinados cortes, o que amplia a relevância do Chile não apenas como destino em volume, mas também como parceiro comercial com potencial de agregar valor à cadeia.
Exigências específicas pedem adaptação da indústria frigorífica
Entre os diferenciais da comercialização para o Chile está o chamado refilamento específico exigido pelos importadores daquele mercado.
Na prática, os compradores chilenos demandam um acabamento diferente nos cortes, o que obriga as indústrias frigoríficas a adaptarem processos para atender aos padrões locais de consumo.
Essa exigência reforça a necessidade de estrutura industrial preparada, rastreabilidade, padronização e flexibilidade operacional, pontos que vêm se tornando cada vez mais importantes no comércio internacional de proteína animal.
Para Mato Grosso, esse tipo de adaptação também funciona como diferencial competitivo, já que fortalece a capacidade do estado de atender mercados exigentes e ampliar sua presença em nichos com demanda mais estável.
América do Sul ganha espaço na estratégia comercial da carne de MT