Alta do dólar e NY elevam paridade do algodão em MT
Paridades de exportação do algodão avançam em Mato Grosso, enquanto lavouras entram em fase crítica de desenvolvimento e exigem maior atenção no manejo
A valorização do dólar e a alta das cotações do algodão na bolsa de Nova York impulsionaram as paridades de exportação da pluma em Mato Grosso na segunda quinzena de março, reforçando o suporte aos preços no mercado estadual. De acordo com o boletim semanal do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), os contratos de julho e dezembro de 2026 registraram avanço em relação ao período anterior, refletindo um ambiente externo mais firme para a fibra.
No intervalo entre 10 e 27 de março, a paridade de exportação para julho de 2026 ficou precificada, em média, a R$ 119,88 por arroba, alta de 4,18% em comparação com a quinzena anterior. Já o contrato de dezembro de 2026 avançou 4,82% no mesmo comparativo, alcançando média de R$ 128,94 por arroba. Segundo o Imea, o movimento foi sustentado principalmente pelo fortalecimento das cotações internacionais e pelo câmbio, em meio ao aquecimento da demanda global e às incertezas geopolíticas.
O boletim destaca que a valorização do algodão na bolsa de Nova York esteve ligada ao maior apetite internacional pela fibra, enquanto a elevação do dólar foi influenciada, entre outros fatores, pela guerra no Oriente Médio e pelos ajustes nas taxas de juros brasileiras. Esse conjunto de fatores ajudou a sustentar as paridades de exportação em Mato Grosso, criando um ambiente mais favorável para o produtor acompanhar a formação de preços nas próximas semanas.
Paridades sobem e mercado externo reforça suporte aos preços
Além da alta nas paridades, o Imea também apontou valorização dos principais indicadores do mercado do algodão. O contrato dezembro de 2026 na bolsa de Nova York fechou a última semana com média de 72,88 centavos de dólar por libra-peso, alta de 0,88% frente à semana anterior. No mesmo período, o preço da pluma medido pelo Imea em Mato Grosso subiu 1,18%, ficando em média em R$ 113,56 por arroba.
Mesmo com leve recuo de 0,06% no dólar Ptax, cotado em média a R$ 5,24 por dólar, o cenário seguiu positivo para a formação de preços, diante da firmeza externa da fibra. Outros derivados também mostraram sustentação, como o caroço disponível, com alta de 0,43%, e a torta de algodão, que avançou 0,94% na comparação semanal.
Na prática, esse ambiente tende a manter o mercado atento às oportunidades de comercialização, especialmente em um momento em que a safra avança e o produtor acompanha a evolução dos custos e da rentabilidade. O próprio boletim mostra que o ponto de equilíbrio do custo operacional efetivo (COE) para a safra 2026/27 em Mato Grosso vinha em R$ 124,02 por arroba em fevereiro, após ter sido estimado em R$ 127,38 por arroba em dezembro.
Além disso, a comercialização da pluma segue em ritmo relevante no estado. Em março, a safra 2024/25 já alcançava 87,06% negociada, enquanto a safra 2025/26 estava em 58,55%, indicando um mercado ativo e atento ao comportamento das cotações.
Lavouras entram em fase sensível e exigem atenção com o bicudo
Se o mercado mostra sustentação, o campo exige cautela. O acompanhamento da fenologia do algodão divulgado pela Conab e destacado pelo Imea mostra que, até 21 de março, 18,10% das áreas cultivadas no Brasil estavam em fase vegetativa, 53,90% em floração e 28% em formação de maçãs. Esse estágio é considerado mais delicado para a cultura, já que aumenta a vulnerabilidade à incidência de pragas.
Entre os principais riscos está o bicudo-do-algodoeiro, apontado como a praga de maior preocupação neste momento. Em Mato Grosso, o Instituto Mato-grossense do Algodão (Ima-MT) registrou alta incidência do inseto ainda no período pré-safra, no início do ciclo produtivo. Segundo o boletim, a infestação pode provocar queda de botões florais e maçãs, além de comprometer a qualidade da fibra, o que afeta diretamente o desempenho e o valor final da produção.
Diante desse cenário, o Imea reforça que o manejo adequado, aliado a condições climáticas favoráveis, será decisivo para o bom desenvolvimento da safra. O mercado também seguirá atento às próximas semanas, que serão marcadas pelo início da semeadura do algodão nos Estados Unidos, fator que pode trazer novas movimentações para os preços internacionais da pluma e, por consequência, para a paridade de exportação em Mato Grosso.
Para o produtor, o momento combina duas frentes de atenção: de um lado, um ambiente de preços mais sustentado e com melhora nas referências de exportação; de outro, a necessidade de reforçar o monitoramento fitossanitário em uma fase crítica da lavoura, para preservar produtividade e qualidade em uma safra que segue sob influência direta do mercado externo.