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Irregularidade das chuvas eleva risco de perdas em lavouras de MS

Foto do autor Francieli Galo
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Irregularidade das chuvas eleva risco de perdas em lavouras de MS
Irregularidade das chuvas pressiona lavouras de soja tardia e o início do milho segunda safra em Mato Grosso do Sul.

Sul e sudeste do Estado concentram situação mais crítica, com perdas estimadas de até 35% na soja tardia, enquanto centro-norte ainda deve receber chuvas nos próximos dias

A irregularidade das chuvas em Mato Grosso do Sul já começa a pressionar a reta final da soja e o início do milho segunda safra, elevando o risco de perdas em diferentes regiões do Estado. Nas últimas semanas, a distribuição desigual das precipitações, somada às temperaturas mais elevadas, tem afetado principalmente as áreas de soja semeadas mais tarde, que ainda atravessam fases decisivas para a definição do potencial produtivo. O INMET informou em 11/03 que a situação mais crítica estava no sul e sudeste de MS, com déficit hídrico mais constante e perdas potenciais de produtividade de até 35% até 15 de março.

Segundo análise divulgada pelo Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), a situação mais delicada se concentra no sul e sudeste de Mato Grosso do Sul, onde o déficit hídrico vem se mantendo de forma mais persistente. Nessas áreas, a estimativa é de que as perdas de produtividade na soja possam chegar a até 35% até 15 de março, especialmente nas lavouras tardias que ainda estão em fases fenológicas críticas. A notícia do INMET foi publicada em 11/03 e destaca justamente o impacto da irregularidade das chuvas sobre a soja tardia e o início do milho safrinha no estado.

Soja tardia concentra maior pressão no campo

O principal impacto, neste momento, recai sobre a soja semeada mais tardiamente, que ainda depende de boas condições de umidade para consolidar componentes importantes de rendimento, como o número de grãos por vagem e o peso final dos grãos.

Quando a restrição hídrica ocorre nesse estágio, o potencial produtivo tende a cair de forma mais sensível, principalmente em áreas que já vinham enfrentando redução no volume de chuva e aumento das temperaturas. Em Mato Grosso do Sul, essa combinação tem ampliado a preocupação justamente nas regiões onde o estresse hídrico vem sendo mais frequente.

De acordo com o INMET, a estimativa de perdas foi calculada com base no SISDAGRO (Sistema de Suporte à Decisão na Agropecuária), que utiliza indicadores agrometeorológicos como precipitação, evapotranspiração e balanço hídrico do solo para medir os efeitos do clima sobre o desenvolvimento das culturas. O instituto informou que o sistema aponta perdas potenciais de até 35% no sul/sudeste e de até 26,8% em áreas do norte até 11 de março, embora sem intensificação prevista até 15/03 devido à chance de novas chuvas.

Norte do Estado ainda tem condição melhor, mas já há sinal de alerta

Mesmo nas áreas mais ao norte de Mato Grosso do Sul, que vinham apresentando condição hídrica mais favorável ao longo da fase vegetativa da soja, o cenário já começa a exigir atenção.

Segundo o INMET, essas regiões também passaram a registrar aumento na frequência de déficits hídricos diários entre o fim de fevereiro e o início de março. Isso elevou a expectativa de perda de produtividade, que chegou a até 26,8% até 11 de março em algumas áreas monitoradas.

Ainda assim, o quadro no norte do Estado segue menos crítico que no sul, já que a previsão de novas chuvas nos próximos dias tende a evitar uma piora mais acentuada do déficit hídrico no curto prazo.

Milho segunda safra também depende da volta das chuvas

A irregularidade das precipitações não afeta apenas a soja. O início do cultivo das culturas de segunda safra, especialmente o milho safrinha, também já sente os reflexos desse cenário.

No sul de Mato Grosso do Sul, onde a semeadura está mais avançada, o estabelecimento inicial das lavouras depende diretamente da ocorrência de novos eventos de chuva. Sem reposição de umidade no solo, o arranque das plantas pode ficar comprometido, elevando o risco para a fase inicial do cereal.

Já no norte do Estado, a tendência ainda é mais favorável para o plantio e para o desenvolvimento inicial da segunda safra, justamente porque a previsão meteorológica indica manutenção de chuvas em parte dessas áreas.

Esse comportamento desigual entre regiões reforça um ponto importante para o produtor: a mesma janela de plantio pode ter respostas muito diferentes conforme a distribuição da chuva, o que exige monitoramento mais regionalizado das condições de solo e do avanço das operações.

Pastagens também sentem os efeitos da irregularidade climática

Além dos grãos, as condições de umidade também têm impacto direto sobre as áreas de pastagem.

Quando as chuvas se mantêm mais regulares, a umidade do solo favorece o crescimento das gramíneas forrageiras e melhora a disponibilidade de alimento para o rebanho. Por outro lado, períodos mais prolongados de estiagem reduzem o desenvolvimento vegetativo, diminuem a produção de biomassa e podem comprometer a capacidade de suporte das áreas de pastejo.

Em um estado com forte integração entre agricultura e pecuária, esse fator amplia o alcance dos efeitos climáticos para além das lavouras, atingindo também o planejamento do sistema produtivo como um todo.

Previsão mantém contraste entre norte e sul de MS

Para os próximos dias, o cenário meteorológico continua indicando forte contraste entre as diferentes regiões de Mato Grosso do Sul.